A OpenAI está inclinada a adiar sua oferta pública inicial de ações até o próximo ano, afirmaram três pessoas envolvidas nas deliberações da empresa, em uma reviravolta que evidencia o futuro incerto das gigantes da inteligência artificial (IA) em rápida ascensão. A criadora do ChatGPT contratou banqueiros e advogados com o objetivo de realizar uma oferta pública de ações já no terceiro ou quarto trimestre deste ano, disseram essas fontes ouvidas pelo jornal The New York Times. O CEO da empresa, Sam Altman, pressionou esses assessores a encontrar uma forma de fazer a startup alcançar uma avaliação de mercado de US$ 1 trilhão, acima da última avaliação privada de US$ 730 bilhões, segundo as fontes, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar publicamente sobre as discussões internas. SpaceX desestimula Mas uma sucessão de acontecimentos recentes levou os executivos da OpenAI a abandonar suas aspirações mais ambiciosas. O principal deles foi o que ocorreu com a SpaceX, de Elon Musk, após sua oferta pública de ações neste mês. A operação foi a maior da História, levantando mais de US$ 85 bilhões e levando a empresa a estrear avaliada em US$ 1,77 trilhão. Desde então, porém, as ações da SpaceX entraram em trajetória de queda, encerrando o pregão de quinta-feira cotadas a US$ 153, depois de terem atingido US$ 202 na semana passada. Imagem de Elon Musk aparece em um telão na Times Square durante a oferta pública inicial (IPO) da SpaceX em 12 de junho — Foto: Victor J. Blue/Bloomberg Os mercados globais também passaram por semanas de volatilidade, com as ações de tecnologia pressionando os índices para baixo à medida que investidores questionam se as empresas de inteligência artificial conseguirão cumprir as promessas extremamente otimistas feitas ao mercado. Apropriação de conteúdo por IA ameaça o jornalismo e a democracia? Especialistas reagem a discurso de editor do NYT Isso levou os assessores da OpenAI, em conversas mantidas com a empresa ao longo da última semana, a alertar que talvez não haja muito entusiasmo entre investidores de varejo por suas ações, disseram duas das pessoas envolvidas. Freio frustra Wall Street A decisão da OpenAI de pisar no freio em seus planos de abrir capital pode decepcionar Wall Street e o Vale do Silício. As ofertas públicas da OpenAI e de sua rival Anthropic, que também afirmou estar preparando sua estreia na Bolsa, poderiam desencadear uma nova onda de criação de riqueza geracional. A OpenAI informou neste mês que apresentou, de forma confidencial, a documentação inicial aos órgãos reguladores do mercado para dar início ao processo de abertura de capital, mas não se comprometeu publicamente com nenhum cronograma. Uma avaliação de US$ 1 trilhão no mercado aberto, superior ao valor de mercado da varejista Walmart, seria impressionante para a OpenAI, uma startup que, acredita-se, ainda não gera lucro e que vem gastando agressivamente na construção de novos data centers. Um porta-voz da OpenAI recusou-se a fazer comentários além da declaração divulgada anteriormente pela empresa. Altman quer US$ 1 tri Os assessores da OpenAI apresentaram aos executivos duas alternativas: esperar até 2027 para abrir o capital com uma avaliação de US$ 1 trilhão ou reduzir a avaliação pretendida para realizar uma oferta de ações mais rapidamente. Altman, segundo uma pessoa que conversou com ele sobre o assunto, respondeu que qualquer mudança na meta de US$ 1 trilhão estava fora de cogitação. Sob pressão da rival A OpenAI enfrenta fortes pressões. A Anthropic, que oferece a ferramenta Claude Code para criação de softwares sofisticados, vem obtendo sucesso na venda de seus serviços para empresas. Ao mesmo tempo, o Gemini, principal produto de inteligência artificial voltado ao consumidor do Google, ganhou popularidade entre os usuários. ChatGPT da OpenAI em um laptop em São Francisco, 21 de março de 2025 — Foto: Kelsey McClellan/The New York Times Após anos de crescimento acelerado nos downloads do aplicativo ChatGPT para consumidores, esse ritmo desacelerou, e o número de usuários permanece em torno de 900 milhões, surpreendendo investidores que acreditavam que a empresa alcançaria facilmente a marca de 1 bilhão. Reformulação interna Nos últimos seis meses, a OpenAI passou por uma reformulação quase completa. Sob o comando de Fidji Simo, CEO da divisão de implantação de inteligência artificial geral, a empresa começou a abandonar projetos paralelos, incluindo divisões deficitárias, como o aplicativo de geração de vídeos Sora. Além disso, para competir com a Anthropic, a OpenAI está montando uma equipe comercial dedicada a vender o Codex, seu produto voltado à programação, para grandes clientes corporativos. Apesar das dúvidas em torno da abertura de capital, os executivos da OpenAI acreditam que a empresa segue no caminho certo, segundo dois funcionários. Mais de 5 milhões de pessoas utilizam o Codex semanalmente, informou a companhia em uma publicação em seu blog neste mês. A empresa também anunciou recentemente que ultrapassou a marca de 2 milhões de clientes corporativos. E, na semana passada, contratou Noam Shazeer, que deixou o Google. A contratação do especialistas em IA é considerada uma grane jogada no restrito universo da pesquisa em inteligência artificial. Shazeer foi um dos autores do artigo científico publicado em 2017 que apresentou a arquitetura transformer — o "T" de ChatGPT.
OpenAI deve adiar oferta de ações para 2027 para alcançar valor de mercado de US$ 1 trilhão
Empresa avalia esperar condições mais favoráveis no mercado após a queda das ações da SpaceX para não ter de mudar a meta de avaliação que busca na Bolsa
















