Duas semanas após assumir a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ter como primeiro ato o afastamento dos titulares de seis das 19 superintendências do órgão regulador do mercado de capitais, Otto Lobo recompôs o quadro de supervisores. A CVM anunciou hoje os nomes dos novos ocupantes das superintendências, que são responsáveis pela área técnica, de fiscalização e desenvolvimento de novas regulações do mercado de capitais brasileiro. No entanto, Lobo ainda não indicou um titular para a principal delas, a Superintendência-Geral. A inspetora da CVM Maria Lúcia Macieira foi indicada para ocupar interinamente o cargo. As superintendências da CVM são ocupadas por funcionários de carreira, concursados, da instituição. No entanto, segundo informou ao GLOBO uma fonte do órgão, Lobo pretende indicar para a Superintendência-Geral um nome de fora da CVM, em um cargo comissionado. Para isso, é necessário uma autorização do presidente Lula via decreto, pedido que Lobo já enviou ao Ministério da Fazenda, ao qual a CVM é subordinada, segundo essa fonte. Procurada, a CVM respondeu que não comenta a informação, mas ponderou que, no passado, o cargo já foi de livre indicação. Otto Lobo, novo presidente da CVM — Foto: Reprodução / CVM No início do mês, Lobo havia afirmado, em comunicado, que os novos titulares das superintendências "viriam da própria CVM". A Superintendência-Geral da CVM é um dos postos-chave da autarquia. É responsável por coordenar a instauração de inquéritos administrativos e as outras superintendências técnicas da casa. Ex-assessor vira superintendente Entre os nomes anunciados hoje pela CVM para ocuparem, em caráter definitivo, as outras cinco superintendências, destaca-se o de José Alexandre Vasco. Inspetor federal da CVM, ele foi assessor pessoal de Otto Lobo em seu mandato como diretor da CVM e agora vai chefiar a Superintendência de Desenvolvimento e Modernização Institucional, conforme adiantou a coluna Capital, do GLOBO. A cadeira é responsável por coordenar outras cinco superintendências ligadas à estrutura administrativa da autarquia. A nomeação para este cargo era um desejo de Lobo desde quando ele ocupava interinamente a presidência da CVM, no fim do ano passado. Indicado pelo presidente Lula para assumir definitivamente a CVM, Lobo só foi confirmado pelo Senado no mês passado e empossado pelo presidente no início deste mês. Também foram anunciados os ocupantes de outras cinco superintendências: Para a superintendência Administrativo-Financeira, foi escolhido o também inspetor da CVM Guilherme Pozzobon,Frederico Shu, também inspetor da casa, será o responsável pela Superintendência de Desenvolvimento de Inteligência.Jorge Alexandre Casara, inspetor da CVM, vai para a Superintendência de Planejamento e Inovação;Andréa Coelho Baptista, agente executiva da CVM, ocupa a Superintendência de Gestão de PessoasGustavo Gori Maia, inspetor da CVM, assume a Superintendência de Tecnologia da Informação Outras indicações em cargos de assessoria Além dos superintendentes, órgãos de assessoria direta, subordinados à presidência, também tiveram novos nomes: a chefia da da Assessoria de Análise Econômica, Gestão de Riscos e Integridade (ASA), passará a ser realizada por Florisvaldo Gonçalves, que assessora a presidência da CVM em questões econômicas de risco, além de promover estudos de análise de impacto regulatório. A jornalista Daniela Amorim será a nova responsável pela comunicação do órgão, enquanto Tomás Fernandes seguirá na chefia de gabinete da presidência da autarquia. Relembre o caso Em seu ato de estreia na cadeira de presidente da CVM, no último dia 9 de junho, Otto Lobo retirou do cargo sete superintendentes de um total de 19, considerando o organograma oficial da autarquia. Incialmente, a CVM admitiu seis afastamentos, mas hoje confirmou que foram sete trocas, conforme havia adiantado o colunista do GLOBO Lauro Jardim. A decisão de exoneração logo na largada do mandato foi vista com ressalvas por funcionários da autarquia e surpreendeu agentes do mercado financeiro. A CVM passa por um momento de recomposição de sua estrutura, considerada aquém de suas atribuições. No fim do mês passado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino proibiu a retenção, por parte do governo, da receita bilionária gerada a partir de taxa paga pelos participantes do mercado financeiro, como gestoras e operadores de fundos de investimento. Segundo o ministro, atualmente, 70% da arrecadação eram destinados ao Tesouro Nacional, deixando apenas 30% para o financiamento da autarquia que fiscaliza o mercado de capitais. O órgão arrecadou, em 2025, mais de R$ 1 bilhão com a taxa.
Duas semanas após afastar sete superintendentes, novo presidente da CVM recompõe cargos
Retirada de ocupantes de cargos de supervisão foi o primeiro ato de Otto Lobo ao assumir o órgão regulador do mercado de capitais, no início deste mês. Superintendência-geral segue sem titular






