O novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, cuja nomeação saiu em decreto publicado em edição extra do Diário Oficial da União na última quarta-feira, assumiu o cargo nesta segunda-feira fazendo uma mudança geral nas superintendências da autarquia. Lobo exonerou sete superintendentes, incluindo o superintendente geral. A lista oficial cita apenas seis superintendentes e o chefe de análise econômica, mas fontes confirmaram ao Valor que Andréa Araujo Alves de Souza, de Gestão de Pessoas, também foi exonerada. Além dela foram retirados dos cargos: Carlos Cesar Valentim Alves, superintendente de Tecnologia da Informação; Cíntia de Miranda Moura, superintendente Administrativo-Financeiro; Daniel Valadão de Sousa Corgozinho, superintendente Seccional de Desenvolvimento e Modernização Institucional; Florisvaldo Justino Machado Gonçalves, superintendente geral; Geraldo Pinto de Godoy Junior, superintendente de Desenvolvimento de Inteligência; e Vera Lucia Simões Alves Pereira de Souza, superintendente de Planejamento e Inovação. Bruno Barbosa de Luna era o chefe da Assessoria de Análise Econômica, Gestão de Riscos e Integridade. Ainda de acordo com fontes da autarquia foi exonerada Paloma Ferraz, que chefiava a assessoria de comunicação, que não era funcionária de carreira. Ela era braço direito do ex-superintendente de comunicação João Mançal, que deixou o posto em maio deste ano. A CVM tem 12 superintendências em sua estrutura, que eram lideradas por Florisvaldo Gonçalves. "Estou assumindo a presidência da CVM em um momento singular para o mercado de capitais brasileiro e isso impõe responsabilidades que não podem ser adiadas. Pela primeira vez na história do país, o financiamento de longo prazo é predominantemente dependente do mercado de capitais. Isso é o resultado de décadas de construção regulatória séria. Preservar e amplificar essa conquista exige que a CVM esteja à altura do que o mercado e os investidores esperam dela", afirmou Lobo em comunicado oficial no início da noite. O novo presidente também reconduziu ao cargo de chefe de gabinete Maurício Bulcão, que havia sido demitido pelo então presidente interino João Accioly em abril, em situação que havia gerado irritação a Lobo. Accioly havia colocado em seu lugar Daniel Coachman Kolouboff, jovem que se formou em 2023 pela UFRJ, fez mestrado na FGV e entrou como estagiário na CVM em 2022. Accioly também havia retirado dos cargos Alexandre Pinheiro da Superintendência-Geral e Marco Velloso da Supervisão de Investidores Institucionais (SIN), ambos interlocutores frequentes de Lobo, mas a mexida teria sido, segundo fontes, negociada com o então futuro presidente. Florisvaldo era superintendente substituto, após a saída de Pinheiro. "Analisei com cuidado o funcionamento da autarquia e cheguei à conclusão de que determinadas áreas estratégicas precisam de novos olhares para desbloquear o potencial que existe aqui dentro. A CVM tem um corpo técnico qualificado e comprometido. O que estou fazendo é reorganizar a liderança para que esse potencial se converta em resultados concretos para o mercado e para os investidores. Mais do que um poder, entendo que neste momento é o meu dever para com os regulados e com o Brasil”, afirmou Lobo na nota.
Otto Lobo assume presidência da CVM e demite sete superintendentes
Também exonerados chefes das assessorias de análise econômica e de comunicação









