O provérbio em latim Si vis pacen, para bellum, “Se quer paz, prepara-te para a guerra”, cabe como luva à atual situação da empresa Pax AI. Não porque o nome significa “paz”, mas porque com menos de dois anos no mercado, a companhia enfrenta uma guerra jurídica nos três estados onde opera: Goiás, Paraná e São Paulo. O produto é uma solução de monitoramento capaz de cruzar dados para facilitar a investigação policial e foi contratado pelos governos para atender a programas de vigilância urbana. Pairam, no entanto, dúvidas sobre a ausência de licitação nos contratos milionários e a segurança dos dados da população.

Em São Paulo, a Pax foi contratada pela administração de Tarcísio de Freitas para ampliar o programa Muralha Paulista, uma das principais vitrines eleitorais do governador. O modelo de contrato se parece com aquele adotado nos outros estados. A Secretaria de Segurança Pública contratou sem licitação a Prodesp, empresa pública de tecnologia, e essa, por sua vez, fez uma parceria de Oportunidade de Negócios com a companhia privada. Para o deputado Antonio Donato, do PT, “essa triangulação é uma manobra para fugir da licitação e contratar alguém por um preço muito mais alto do que o mercado”. O valor do contrato foi de 475 milhões de ­reais, a serem pagos ao longo de cinco anos.