Informação consta em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Corpos resgatados pelos moradores foram reunidos na Praça do Inter, na Vila Cruzeiro, após a operação — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 12:54 Investigação do MPRJ Aponta Manipulação de Câmeras por Policiais do Bope em Operação no Alemão e Penha O Ministério Público do Rio de Janeiro analisou câmeras de 51 policiais do Bope envolvidos na operação Contenção, que resultou em 122 mortes nos complexos do Alemão e Penha. Relatório ao STF revela que 17,6% dos agentes retiraram as câmeras e 7,8% apresentaram indícios de obstrução de imagens. O MPRJ investiga mais de 3.600 horas de gravações e já ouviu 204 policiais. O tráfico retomou atividades na região. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Ministério Público do Rio de Janeiro concluiu a análise das Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) de 51 policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) que participaram da megaoperação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, em 28 de outubro de 2025. A ação deixou 122 mortos — 117 suspeitos e cinco policiais. De acordo com o MPRJ, os investigadores identificaram a retirada do equipamento em 17,6% dos casos analisados e encontraram "indícios de obstrução intencional da imagem" em 7,8%. Também foi constatado que, em 11,8% dos registros examinados, havia pessoas feridas, sendo que, em todos esses casos, os agentes prestaram socorro. As informações constam em um relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O MPRJ está analisando mais de 3.600 horas de gravações produzidas por policiais militares do Rio e elaborando relatórios sobre o material. A decisão de iniciar a análise pelos agentes do Bope foi tomada porque, segundo o órgão, os depoimentos colhidos indicam que a maior parte dos policiais que atuaram na mata — onde ocorreu a maioria das mortes — pertencia ao batalhão. No material examinado até o momento, o MPRJ destaca ainda que não foram identificadas prisões em nenhuma das gravações dos 51 policiais. No documento, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, ressalta que os dados ainda estão em fase "embrionária" e deverão ser analisados em conjunto com os demais elemento produzidos pelas equipes responsáveis pela investigação. Paralelamente à análise das imagens, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) está ouvindo os policiais que participaram da operação e se envolveram em confrontos armados. Até o último relatório enviado ao STF, no mês passado, 204 agentes já haviam sido ouvidos. Retorno do tráfico No documento enviado ao STF, o MPRJ também relatou as tentativas de incursão do órgão nas comunidades onde a megaoperação ocorreu. Após a ação policial, considerada a mais letal da história do país, relatórios elaborados pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência desaconselharam a presença física de equipes na região em razão dos riscos aos promotores e técnicos. No mês seguinte à megaoperação, em 15 de dezembro, foi realizada uma análise do local para verificar a possibilidade de as equipes entrarem na comunidade para obter novas informações. A avaliação demonstrou que o tráfico já havia retomado suas atividades com força, mesmo sem ter completado um mês desde a ação policial. As equipes sobrevoaram a área do Complexo da Penha com um drone e constataram a presença de barricadas e de possíveis pontos de venda de drogas em pleno funcionamento. Além disso, registraram a circulação de indivíduos armados e indícios do uso de equipamentos antidrone por criminosos. Ponto de observação no alto da Serra da Misericórdia, que separa os complexos do Alemão e da Penha, é flagrado pelo GLOBO — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo Contato com familiares Outra frente adotada pelo MPRJ na investigação sobre a megaoperação realizada no ano passado é a oitiva de parentes das vítimas da ação policial. Segundo o relatório enviado ao STF, o órgão identificou 178 pessoas com vínculo de parentesco ou afinidade com os mortos. Até a última atualização encaminhada ao Supremo, apenas 37 parentes haviam prestado declarações aos promotores.