Revisão decorre principalmente da surpresa positiva no resultado do primeiro trimestre e da melhora nas perspectivas para agropecuária e indústria extrativa, aponta o Relatório de Política Monetária da autoridade O Banco Central subiu sua estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026 para 2%, de 1,6%, com elevações nas estimativas para os três grandes setores da economia e para a demanda interna. De acordo com o Relatório de Política Monetária (RPM), publicado nesta quinta-feira (25), a revisão decorre principalmente da surpresa positiva no resultado do primeiro trimestre e da melhora nas perspectivas para agropecuária e indústria extrativa. Ela também reflete, segundo o BC, a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, em grande parte associada a estímulos de natureza fiscal e creditícia. "Ainda assim, em um contexto de política monetária contracionista e de reduzido grau de ociosidade dos fatores de produção, permanece a perspectiva de crescimento moderado no trimestre corrente e ao longo do segundo semestre. Embora seus efeitos mais evidentes sobre a economia brasileira até o momento tenham se concentrado nos preços, o conflito no Oriente Médio também eleva a incerteza em torno das projeções de crescimento", afirma o BC. A expansão esperada da agropecuária passou de 1% para 1,7%. Na indústria, a projeção de crescimento foi revisada de 1,2% para 2,3%. A projeção de crescimento para o setor de serviços foi revisada de 1,7% para 1,9%. Ainda sob a ótica da oferta, a projeção para os setores menos cíclicos foi elevada de 1,8% para 2,1%, resultado principalmente de revisões positivas na indústria extrativa e nas atividades imobiliárias, parcialmente compensadas pela redução na estimativa para os serviços de intermediação financeira. Já entre os setores mais sensíveis ao ciclo econômico, a revisão foi mais intensa, diz o BC, passando de 1,4% para 2%, o que aponta para uma perspectiva de maior aquecimento da economia em comparação ao cenário considerado no relatório de março. Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias foi revisto de 1,4% para 2,1%, e a formação bruta de capital fixo (FBCF) foi de 0,5% para 1,5%. A projeção para o consumo do governo manteve-se em 2%. As previsões de crescimento das exportações e das importações foram aumentadas, respectivamente, de 2,5% para 3% e de 1% para 2%. Dadas as estimativas atualizadas, as contribuições da demanda interna e do setor externo para a evolução do PIB em 2026 devem ser de 1,8 ponto percentual (p.p.) e de 0,2 p.p., segundo o BC, ante 2 p.p. e 0,3 p.p. em 2025.