Saída representaria um duro golpe para a orgamização, que viu os Emirados Árabes Unidos abandonarem o grupo há menos de dois meses Pessoas caminham em frente a uma instalação que representa um barril de petróleo com o logotipo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) durante a COP29, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Baku, Azerbaijão, em 19 de novembro de 2024 — Foto: REUTERS/Maxim Shemetov/Foto de Arquivo O Iraque chegou a considerar deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) caso o grupo não permita que Bagdá aumente significativamente sua produção de petróleo, disseram à Reuters fontes com conhecimento do assunto. A possibilidade de saída do Iraque representaria um duro golpe para a Opep, que viu os Emirados Árabes Unidos abandonarem a organização há menos de dois meses. O Iraque é o segundo maior produtor do grupo, atrás apenas da Arábia Saudita, e um de seus cinco membros fundadores. A Opep foi criada em 1960, na capital iraquiana. O país depende do petróleo para obter a maior parte de suas receitas, que foram drasticamente reduzidas desde que a guerra contra o Irã praticamente bloqueou as exportações por meio do Estreito de Ormuz. O governo enfrenta uma crise financeira em consequência da guerra e um aumento significativo da cota de produção do país na Opep deve ser tratado com seriedade, disse à Reuters nesta quinta-feira um alto funcionário do Ministério do Petróleo do Iraque. Segundo ele, o Iraque chegou a considerar deixar a Opep, mas o plano atual é permanecer no grupo e buscar uma cota mais elevada. A cota do Iraque para julho é de 4,378 milhões de barris por dia, embora a produção atual esteja significativamente abaixo desse nível devido às interrupções provocadas em Ormuz. “Arábia Saudita e os demais aliados da Opep devem tratar essa questão com a máxima seriedade. Caso contrário, o Iraque será obrigado a considerar todas as opções disponíveis”, afirmou. Questionado se o governo havia discutido deixar a Opep, respondeu: “Ainda é prematuro dar esse passo”. O Ministério do Petróleo do Iraque afirmou nesta quinta-feira que as notícias segundo as quais Bagdá estaria considerando encerrar sua participação na Opep não refletem a posição oficial do governo iraquiano. A Opep e as autoridades sauditas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Os preços do petróleo ampliaram brevemente as perdas após a reportagem da Reuters, sendo negociados abaixo de US$ 73 por barril. Uma vista aérea feita por drone mostra o campo petrolífero de Rumaila em Basra, Iraque , em 8 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Essam Al-Sudani Opep+ revê a capacidade de produção dos países-membros As declarações das autoridades iraquianas ocorrem no momento em que a Opep+, grupo que reúne os membros da Opep, a Rússia e outros produtores, realiza uma revisão da capacidade de produção de petróleo de seus integrantes. As avaliações servirão de base para definir os níveis de produção de referência para 2027, a partir dos quais são estabelecidas as cotas. O Iraque enfrentou dificuldades no passado para cumprir suas cotas na Opep, à medida que expandia sua capacidade de produção com a ajuda de empresas petrolíferas ocidentais. Segundo dados da Opep, o Iraque produziu 1,48 milhão de barris por dia em maio, abaixo dos quase 4,2 milhões de barris por dia registrados em fevereiro, antes do fechamento de Ormuz. Um porta-voz do governo afirmou que o Iraque trabalha para restabelecer plenamente sua capacidade de exportação, mas se recusou a comentar a cota do país na Opep ou a possibilidade de deixar a organização. “O Iraque está trabalhando para restaurar sua plena capacidade de exportação de petróleo e pretende elevar sua produção para 7 milhões de barris por dia nos próximos anos”, afirmou o porta-voz Haider al Aboudi. Não houve comentário oficial da Rússia sobre as declarações das autoridades iraquianas, mas uma fonte do setor de petróleo russo afirmou que elas não representam um grande desafio para o acordo da Opep+ e que um pequeno aumento na cota do Iraque pode ajudar. Desde que assumiu o cargo, em maio, o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, vem sinalizando que a reconstrução da economia do país, a atração de investimentos estrangeiros e o combate à corrupção serão prioridades centrais de seu governo. Na quarta-feira, ele afirmou que o Iraque deseja que a Opep eleve sua cota de produção de petróleo em linha com sua capacidade produtiva e com o tamanho de sua população, informou a agência estatal INA. Sete dos principais membros da Opep+ elevaram suas cotas de produção entre abril e junho em quase 600 mil barris por dia, embora a maioria não tenha conseguido atingir esses novos níveis devido às interrupções nas exportações por Ormuz.
Iraque alerta que pode deixar a Opep se cota de produção de petróleo do país não aumentar
Saída representaria um duro golpe para a orgamização, que viu os Emirados Árabes Unidos abandonarem o grupo há menos de dois meses








