Aumento do saldo comercial para US$ 78 bilhões, com impulso da elevação do preço do petróleo, explica a maior parte da revisão, informou o Banco Central por meio do Relatório de Política Monetária O Banco Central reduziu sua projeção de déficit em transações correntes para US$ 56 bilhões (2,1% do PIB), de US$ 58 bilhões. O aumento do saldo comercial (para US$ 78 bilhões, de US$ 73 bilhões), impulsionado principalmente pela elevação do preço do petróleo, explica a maior parte da revisão, segundo o BC. "O cenário projetado para as contas externas, contudo, segue sujeito a riscos acima do usual, em razão das repercussões do conflito no Oriente Médio", afirma o BC no Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado nesta quinta-feira (25). Em relação ao projetado no último RPM, a revisão altista das exportações (para US$ 385 bilhões, de US$ 374 bilhões) refletiu a combinação de elevação no volume e, principalmente, nos preços esperados, segundo o BC. O valor importado também foi revisto para cima (para US$ 307 bilhões, de US$ 301 bilhões), refletindo majoritariamente o aumento nos preços, especialmente dos combustíveis, diz o relatório. A projeção para o déficit da conta de serviços foi majorada para US$ 56 bilhões, de US$ 54 bilhões, refletindo, em parte, a perspectiva de aumento dos custos de fretes e dos prazos logísticos, diante da incerteza quanto à retomada total do tráfego pelo Estreito de Ormuz e à normalização do escoamento de petróleo e derivados, afirma o BC. A expectativa de gastos com viagens também teve discreto aumento (US$ 15 bilhões, ante US$ 14 bilhões), em linha com a dinâmica recente, a valorização do real e o mercado de trabalho ainda aquecido", diz. Na conta de renda primária, o ligeiro aumento no déficit esperado (US$ 83 bilhões, ante Us$ 82 bilhões) reflete maiores despesas líquidas com juros, associadas ao impacto negativo do aumento das incertezas globais sobre as taxas de juros internacionais, aponta o BC. A entrada líquida de investimento direto no país (IDP) também foi revisada, para US$75 bilhões (2,8% do PIB), de US$ 70 bilhões. "Além do fluxo de entrada já registrado até abril, a perspectiva de maior dinamismo das exportações favorece os aportes de capital estrangeiro em empresas no país. Nessa projeção, o IDP se aproxima do nível de 2025, apesar do ambiente global mais incerto", afirma o BC. Sede do Banco Central (BC) em Brasília — Foto: Ton Molina/Bloomberg