Fachada da sede da Qualcomm — Foto: Gregory Bull / Associated Press A Qualcomm apresentou sua linha de chips para data center na quarta-feira, tornando-se a mais recente fabricante de chips a entrar na corrida por processadores de inteligência artificial, numa tentativa de desafiar a líder de mercado, Nvidia. O executivo-chefe (CEO), Cristiano Amon, disse ao “Nikkei Asia” que a empresa está de olho no mercado chinês para seus produtos de data center, incluindo o desenvolvimento de chips específicos para clientes chineses que estejam em conformidade com os controles de exportação dos Estados Unidos. A gigante de chips para dispositivos móveis está reformulando o design de processadores para data center, que tradicionalmente são alimentados por unidades de processamento gráfico (GPUs) e chips de memória de alta largura de banda (HBM). Amon apresentou o Dragonfly, uma marca dedicada a soluções de inteligência artificial para data center, projetada para quebrar o domínio da Nvidia na infraestrutura de inteligência artificial, na feira Computex em Taipei, no início deste mês. A empresa revelou mais detalhes sobre o Dragonfly em seu dia do investidor em Nova York, na quarta-feira. O Dragonfly abrange quatro linhas de produtos: aceleradores de inteligência artificial, CPUs para data center, silício personalizado e chips de conectividade. O processador para data centers da Qualcomm apresenta um design que difere dos racks de inteligência artificial implantados nesses ambientes. Batizado de computação de alta largura de banda (HBC, na sigla em inglês), o design de computação próxima à memória da Qualcomm permitirá que seus chips para data centers ofereçam seis vezes mais largura de banda por watt em comparação com soluções baseadas em HBM. O mercado de computação para data centers é dominado por racks de inteligência artificial equipados com GPUs da Nvidia e chips HBM produzidos pelas empresas sul-coreanas SK Hynix e Samsung. Tanto a Samsung quanto a SK Hynix também estão trabalhando em computação próxima à memória e na memória, visto que a capacidade de memória se torna o mais recente gargalo na implantação de inteligência artificial. Além do melhor desempenho computacional, a Qualcomm afirma que a arquitetura HBC também consome menos energia e tem um custo de propriedade menor. Em mensagens de vídeo, os executivos-chefes (CEOs) da Microsoft e da Meta afirmaram que os data centers das duas empresas serão os primeiros a adotar os chips para data centers da Qualcomm, incluindo HBC e CPUs. A Qualcomm anunciou que o primeiro chip HBC será lançado com seu rack de data center AI250 no ano fiscal de 2027. A empresa informou aos investidores na quarta-feira que os novos produtos para data center devem gerar uma receita de US$ 300 milhões no atual ano fiscal e de US$ 5 bilhões no ano fiscal de 2027, que começa em outubro. A Qualcomm estima que o mercado endereçável total para chips de data center ultrapassará US$ 1 trilhão até 2029 e que a empresa conquistará mais de 5% desse mercado. Na apresentação de quarta-feira, Amon afirmou que "nunca é tarde demais" para a Qualcomm entrar no mercado de chips de data center, pois "este é um mercado que se move muito, muito rápido. Portanto, se você tem liderança tecnológica, sempre há espaço para você." Além dos aceleradores de inteligência artificial baseados no novo design HBC, a Qualcomm também apresentou uma CPU projetada para data centers e inferência de inteligência artificial, anunciando que a empresa fechou "dois grandes contratos com hiperescaladores" para chips personalizados para data centers, que trarão "receita significativa" até o final do ano. Amon também destacou uma parceria sólida com a gigante de fabricação de chips sob encomenda TSMC, que dará à empresa uma vantagem na corrida por chips para data centers. "Assim que a TSMC finalizar a máscara, iniciaremos a produção, e em larga escala. Essa é a maturidade de nossas capacidades de fabricação", disse Amon. No entanto, ainda resta saber se a Qualcomm conseguirá convencer investidores e clientes de que é uma alternativa competitiva aos produtos da Nvidia. As ações da Qualcomm caíram mais de 3% na quarta-feira, mas subiram durante o pregão estendido após a apresentação do dia do investidor. A Qualcomm caiu mais de 3% na quarta-feira, mas se recuperaram no pregão estendido após a apresentação do dia do investidor. "As receitas atuais de data centers continuam mínimas e dependem da Qualcomm provar que consegue levar o alto desempenho de CPUs e NPUs de dispositivos de consumo para cargas de trabalho mais complexas de data centers", disse Vivek Arya, analista do Bank of America, em nota divulgada na terça-feira. Ele acrescentou que a Qualcomm está entrando em um "mercado de inteligência artificial de rápido crescimento, mas hipercompetitivo, repleto de grandes empresas já estabelecidas".
Qualcomm projeta chip para data center exclusivo para China, em linha com regras dos EUA
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