Mercado passou a esperar uma inflação mais baixa e reprecificou as suas expectativas para a política monetária do BC calculadora; gráfico; balanço — Foto: Pixabay Os juros futuros encerraram o pregão desta quarta-feira com mais um movimento robusto de queda, desta vez impulsionado pelo cenário externo. A reabertura do Estreito de Ormuz e o aumento do tráfego de navios no canal derrubou os preços do petróleo a patamares vistos pela última vez antes da guerra entre Estados Unidos e Irã começar no fim de fevereiro. Com isso, o mercado passou a esperar uma inflação mais baixa e reprecificou as suas expectativas para a política monetária do Banco Central, gerando um forte alívio dos juros — que já acumulam mais de 50 pontos-base de queda nesta semana em alguns trechos da curva a termo. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 anotou queda de 14,185%, do ajuste anterior, para 14,125%; a do DI de janeiro de 2028 caiu de 14,585% a 14,30%; a do DI de janeiro de 2029 teve forte baixa de 14,66% para 14,355%; e a do DI de janeiro de 2031 despencou de 14,615% a 14,345%. Ao tocar níveis na casa dos US$ 73 por barril, o petróleo Brent (referência global da commodity) registrou suas mínimas desde o início da guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã. O otimismo do mercado quanto ao retorno da oferta da commodity se intensificou ainda pela manhã, quando o presidente americano, Donald Trump, afirmou que Teerã se comprometeu a não cobrar taxas, custos de seguro ou quaisquer outras tarifas para a passagem dos navios pelo estreito. Desta forma, os mercados globais de renda fixa mostraram uma forte descompressão de prêmios nas curvas de juros, em meio à expectativa de que a volta dos preços de petróleo aos patamares anteriores à guerra abram espaço para uma política monetária menos contracionista. Nos Estados Unidos, a taxa da T-note de dez anos anotou forte baixa de 4,502% a 4,391%, enquanto a do Gilt britânica de igual vencimento fechou com recuo de 4,759% para 4,685%. No Brasil, o alívio foi ainda mais intenso não apenas por conta da volatilidade naturalmente maior da renda fixa doméstica, mas também diante da leitura de que um quadro externo mais favorável pode fazer com que o BC estenda o ciclo atual de cortes da Selic e, posteriormente, não precise manter os juros em patamares tão elevados. Para o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, ainda há um prêmio de inflação que pode ser revelado a depender da evolução do cenário nos próximos meses. Fatores exógenos, como os preços do petróleo e o El Niño, e internos, como a atividade econômica, podem se mostrar mais benignos e abrir caminho para que o Copom corte a Selic em mais 0,5 ponto até o fim do ano, do atual nível de 14,25% para 13,75%. Nesse sentido, a queda do petróleo aos níveis anteriores à guerra no Oriente Médio pode ajudar. “Se o petróleo continuar caindo e permanecer em um patamar baixo, é um bom sinal para calibrar isso no modelo (de projeção econômica do BC). Muda, com certeza, a expectativa de inflação do horizonte relevante”, diz Tavares. Segundo o economista, há um consenso no mercado hoje de que o Copom endureceu a sua comunicação na ata divulgada ontem o suficiente para que uma pausa do ciclo de cortes da Selic seja a decisão mais provável em agosto. Por outro lado, o comitê indicou que não está desconfortável em não atingir a meta de inflação de 3% dentro do horizonte relevante e, por isso, revela certa preferência por voltar a reduzir a Selic. “Para a próxima reunião, tem uma sinalização de pausa, mas o desejo é de cortar. A barreira para isso é baixa, qualquer boa notícia volta a colocar um corte de 0,25 ponto na mesa. O BC vai se apegar a qualquer notícia positiva e atribuir um corte a isso”, diz Tavares. Segundo ele, um petróleo em níveis ao redor de US$ 70 por barril casado a um câmbio comportado já seria motivo suficiente para o Copom voltar a Selic em agosto. Com o derretimento dos preços do petróleo, o mercado de opções digitais de Copom se moveu em direção a mais um corte de 0,25 ponto da Selic na próxima reunião do colegiado - ainda que a manutenção continue como principal aposta. A probabilidade de que a Selic siga em 14,25% em agosto cedeu de 61% para 57,9% hoje, enquanto a de que o juro básico seja cortado aumentou de 31% para 39%. Para Tavares, ainda há algum prêmio a ser aproveitado nos vértices de curto prazo da curva de juros futuros mesmo com o forte recuo das taxas hoje. Ao comparar a inflação precificada pelo mercado com o cenário-base do relatório Focus, ainda há cerca de 110 a 120 pontos-base de prêmio no DI de janeiro de 2029 - de 190 pontos-base após o fechamento de ontem. A diminuição deste prêmio de ontem para hoje se dá por conta do movimento da inflação implícita, medida obtida por meio da diferença entre as taxas nominais dos DIs e os juros reais das NTN-B, os títulos públicos atrelados ao IPCA. A inflação implícita precificada na NTN-B com vencimento em agosto de 2028, por exemplo, caiu de 5,26% para 5,02%, enquanto a da NTN-B para agosto de 2032 cedeu de 5,67% a 5,46%.
Juros futuros despencam diante de otimismo sobre cortes da Selic com recuo do petróleo
Mercado passou a esperar uma inflação mais baixa e reprecificou as suas expectativas para a política monetária do BC






