O estúdio independente A24, responsável pelos recentes sucessos de bilheteria Backrooms, Marty Supreme e vários vencedores do Oscar, decidiu se colocar no centro de uma das disputas mais sensíveis do audiovisual contemporâneo: o avanço da inteligência artificial. A empresa firmou uma parceria de pesquisa e desenvolvimento com a Google DeepMind, enquanto o Google investiu cerca de 75 milhões de dólares no estúdio, segundo o Wall Street Journal.

Fundada em 2012, a A24 se tornou, sobretudo entre jovens cinéfilos, um selo de repertório.

As empresas afirmaram que a iniciativa pretende auxiliar artistas no desenvolvimento de ‘novos fluxos de trabalho e técnicas criativas’. Não houve, porém, menção direta ao uso de obras produzidas pelo estúdio para o treinamento de modelos de IA.

O anúncio ocorre sob crescentes tensões – de ordem ética e trabalhista – em relação ao uso de inteligência artificial pelos grandes estúdios de Hollywood. O próprio Kane Parsons, diretor de Backrooms, se manifestou publicamente contra o uso de IA no cinema diversas vezes, afirmando que “se pudesse estalar os dedos e fazer [a IA] desaparecer para sempre, provavelmente o faria”.

Em 2023, o sindicato dos atores SAG-AFTRA levou a inteligência artificial ao centro de sua greve em Hollywood. Além de reivindicar melhores salários e regras mais justas para a distribuição de obras nos serviços de streaming, os artistas buscavam proteção contra a reprodução e o uso não autorizados de suas imagens, vozes e performances por ferramentas automatizadas.