O que é recuperação judicial?Entenda o processo que empresas podem solicitar para superar uma crise financeira. Gerando resumoA rede chilena Cencosud fechou acordo para comprar 100% dos supermercados St Marche, tendo como condição precedente a homologação do pedido de recuperação judicial feito pela varejista na madrugada desta quarta-feira, 24. O valor da transação não foi divulgado. As negociações com a Censosud vinham acontecendo desde o quarto trimestre de 2025.PUBLICIDADECom a aquisição, a Cencosud passa a ter uma rede de varejo de alimentos para consumidor premium no Estado de São Paulo, das classes A e B. A rede chilena é dona no Brasil de marcas como Prezunic, Giga Atacado, GBarbosa e Bretas.“A aquisição vai garantir que o St Mache continue existindo e crescendo junto a uma empresa que é uma dos maiores players globais do varejo”, disse ao Estadão/Broadcast o cofundador e CEO há 24 da St Marche, Bernardo Ouro Preto. Ele lembra que a Cencosud registrou US$ 17,4 bilhões em vendas globais em 2025 e mais de 1.440 lojas em seis países. Ouro Preto segue como CEO no mínimo até a conclusão do processo de recuperação judicial, que pode levar cerca de nove meses.PublicidadeSt Marche foi uma das varejistas pegas pela virada repentina do juro brasileiro Foto: Daniel Teixeira/EstadãoNos próximos dias serão aportados R$ 25 milhões em capital adicional para reforço de caixa, para que a operação siga rodando intacta com colaboradores e clientes. A transação com a Cencosud terá de receber o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que começa a analisar a aquisição a partir de agora.Leia tambémSt Marche recebe aval para sair da recuperação e buscará aporte em 2026St. Marche foca em recuperação operacional para buscar sócio ou fusãoGrupo Prime, do setor de agronegócio, pede recuperação judicial com dívidas de quase R$ 800 milhõesO pedido de recuperação judicial feito na madrugada desta quarta-feira acontece oito meses depois de o St Marche ter concluído um processo de recuperação extrajudicial, em outubro do ano passado, quando a venda para a Cencosud já estava sendo negociada.Segundo Ouro Preto, a decisão de entrar em recuperação judicial foi tomada diante de incertezas trazidas por um dos credores da companhia, que pediu a extinção da recuperação extrajudicial, ampliando as dificuldades no fluxo de caixa da rede e atrasando a venda da companhia.Publicidade“A transação com a Cencosud está fechada e acordada, mas tem a condição precedente que é o fim da recuperação judicial”, disse Ouro Preto.O St Marche foi uma das varejistas pegas pela virada repentina do juro brasileiro, obrigando a rede a renegociar R$ 528 milhões por meio de um plano de recuperação extrajudicial, iniciado em abril do ano passado e concluído em outubro. Nesse processo, recebeu uma capitalização de R$ 90 milhões por meio de um DIP, um tipo de empréstimo feito para empresas em dificuldade financeira, do fundo americano L Catterton, dono de 70% da rede, que aportou R$ 45 milhões no início da recuperação extrajudicial, e o segundo aporte pelo BTG. Um fundo do BTG tinha mais de R$ 280 milhões em créditos do grupo.A rede implantou um plano de expansão após a pandemia, quando passou de 21 lojas e R$ 700 milhões em faturamento em 2021 para 32 lojas e R$ 1,3 bilhão em receitas em 2024. Nesse período, a Selic saiu de mínimas históricas de 2% para 15%, afetando de forma importante o caixa da rede de supermercados. Nesse ambiente, a empresa começou a atrasar o pagamento de fornecedores e passou a faltar produtos nas prateleiras. “Um nível de 15% de juros é inviável”, disse Ouro Preto.Publicidade
St Marche acerta venda para rede chilena e pede recuperação judicial para fechar negócio
Valor da transação com a Cencosud não foi divulgado; pedido de recuperação judicial acontece oito meses após St Marche ter concluído processo de recuperação extrajudicial










