0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vini e Paquetá comemoram gol em Brasil x Haiti na Copa do Mundo — Foto: Angela Weiss / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 09:17 Torcedores no Exterior Sentem Brasil como Coadjuvante na Copa dos EUA Torcedores brasileiros no exterior enfrentam o impacto da seleção ser tratada como coadjuvante na Copa nos EUA, afetando a identidade nacional calcada no futebol. Apesar do histórico vitorioso, a mídia destaca outras seleções como favoritas, enquanto o Brasil luta contra a falta de atuações memoráveis. A comparação com o prestígio de jogadores como Messi e Mbappé reforça a sensação de desvalorização. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma das piores sensações para nós, torcedores brasileiros, que vivemos no exterior é vermos a seleção brasileira ser tratada como coadjuvante por torcedores e jornalistas de outros países. Impacta diretamente na nossa identidade. Crescemos com a noção de que somos o país do futebol, pentacampeão, terra de Pelé, Garrincha, Didi, Romário, Ronaldo e Ronaldinho. Como podem nos tratar como mais um? É quase uma ofensa. Mas é o que acontece nesta Copa nos EUA quando converso com estrangeiros, quando leio a mídia estrangeira ou vejo comentaristas norte-americanos na TV. A primeira sensação é de não nos darem bola. Mencionam a Argentina, a Espanha e a França como as grandes favoritas. Dizem que Inglaterra, Holanda e Alemanha vêm logo atrás. As surpresas podem ser a Noruega, o Marrocos, os EUA e o Japão. Já o Brasil? Nada. Quando falam da seleção brasileira é para comentar que não está com uma geração muito boa e seguem em frente. Se formos eliminados no chamado “dezesseis-avos final” pelo Japão ou pela Holanda, não surpreenderá ninguém. Viramos uma espécie de Ferrari nos dias de hoje em uma posição retardatária na F1. Algo até esperado. Não somos a seleção italiana, para ficar claro. A Itália não se classifica há três Copas. Somos a única seleção do mundo a chegar a todas as quartas de final e terminar em primeiro no grupo desde 2002, quando conquistamos o pentacampeonato. França, Espanha, Alemanha, Argentina, Holanda e Inglaterra não possuem este histórico. Mesmo assim, deixaram de nos levar a sério. Pesa contra a nossa seleção a falta de encantamento. Explico. Não é ganhar a Copa ou disputar uma final. Mas quando foi a última vez que o Brasil teve uma atuação de encher os olhos como as de argentinos, ingleses, franceses, holandeses e até norte-americanos nesta Copa? O jogo mais marcante das últimas décadas para nós brasileiros foi a goleada que tomamos de 7 a 1 da Alemanha. Além disso, as grandes estrelas desta Copa, até agora, são, obviamente, Messi, Mbappé, Haaland e talvez Kane. Há outros. Diria que Vini Jr. teve duas atuações excelentes. Mas pouco se fala do craque do Real Madrid. Não deslumbrou como o francês, o norueguês e o inglês — o argentino, convenhamos, está em um outro patamar, embora seja um pouco duro ver o New York Times descrevê-lo como o melhor de todos os tempos, acima de Pelé. Nas Copas anteriores, com Neymar ainda em forma, possuíamos um candidato a craque do Mundial. Claro que dá para ser campeão sendo coadjuvante. Fomos, de uma certa forma, em 1994. Começaram a nos levar a sério a partir da vitória contra a Holanda nas quartas. Nesta semana, teremos a partida Egito versus Pérsia. Sim, a Pérsia. Os iranianos são os persas. Somente em 1935 que pediram para serem chamados de Irã — um erro que o Egito não cometeu, ao manter o nome internacional em vez de adotar no resto do mundo a denominação de Misr. Estas duas nações possuem identidades fortíssimas que resistem há milhares de anos. A de nós brasileiros é mais recente e certamente muito maior do que o futebol. Óbvio. Mas virar coadjuvante é um duro golpe.