A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) afirmou nesta quarta-feira (24) que as inspeções sobre o programa nuclear do Irã vão ser retomadas, mas que seu escopo ainda precisa ser definido nas negociações entre a teocracia e os Estados Unidos que pausaram a guerra no Oriente Médio por 60 dias.
"As inspeções vão de fato ocorrer", disse o argentino Rafael Grossi, o diretor-geral da agência ligada à ONU, em uma entrevista no Japão. "Nós estaremos trabalhando nas modalidades —datas, procedimentos, lugares— em breve", completou.
"O parágrafo oitavo do memorando diz explicitamente que as atividades nucleares serão supervisionadas pela AIEA. Obviamente, para isso precisamos inspecionar. Então vai acontecer. Claro, se o Irã não cumprir o acordo, aí é outra história", afirmou Grossi.
O vice-chanceler iraniano Kazem Kazem Gharibabadi, ao comentar a fala, disse que só haverá debate sobre inspeções após a conclusão de negociações de paz e o fim de sanções ocidentais contra seu país. Na prática, não é muito diferente do que Grossi afirmou, mas os cronogramas são díspares.
A AIEA não tem poder de impor seu trabalho a nenhum dos seus 181 membros, grupo que inclui o Irã. Ela assina acordos de salvaguardas individualmente, inclusive com Estados que não a integram: há hoje 190 acordos cobrindo 1.406 instalações com material nuclear.













