0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Damares Alves, Michelle e Jair Bolsonaro durante cerimônia no Planalto em março de 2020 — Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo Ex-ministra dos Direitos Humanos do governo Jair Bolsonaro, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) vai participar da elaboração do plano de governo da campanha do pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ). O convite foi feito pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que está trabalhando para o filho “zero um” de Bolsonaro na elaboração de propostas econômicas e sociais. A ideia do QG da campanha de Flávio é que Damares auxilie o senador em áreas como direitos humanos e assistência social, em aceno ao eleitorado feminino, que resiste à candidatura, e que deve mais uma vez ser decisivo no resultado das urnas. Uma das missões que o senador deu a Daniella é criar uma estratégia para diminuir sua rejeição no eleitorado feminino. A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no último sábado (20), expõe os desafios de Flávio nesse público, além de escancarar a divisão entre homens e mulheres nas intenções de voto para a Presidência da República. Enquanto Flávio lidera entre homens (50%, ante 41% de Lula) numa eventual disputa de segundo turno, o presidente da República tem vantagem entre as mulheres (52% a 37%). Para diminuir a rejeição, Flávio tem sido aconselhado por interlocutores mais pragmáticos do Centrão a escolher uma mulher como companheira de chapa. Enquanto isso não acontece, Flávio precisa gerar assuntos e propostas que atraiam as eleitoras. Daí o apelo a Damares. Entre aliados, Damares é considerada essencial por conhecer bem o público conservador, em especial as mulheres. “É ela quem monta as estratégias” diz uma fonte que acompanha de perto as movimentações de bastidores. “Já Michelle é o rosto da pauta feminina”. Fator Michelle Um foco de preocupação entre aliados é a resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de se engajar diretamente na campanha presidencial, conforme informou o blog. Ainda não é certa a participação da ex-primeira-dama na convenção do PL que vai confirmar a candidatura de Flávio à Presidência da República, em 25 de julho. Por ora, o que é certo é a candidatura de Michelle para uma das duas vagas em aberto no Senado pelo Distrito Federal, tradicional reduto bolsonarista. Lá, Jair Bolsonaro obteve 58,81% dos votos válidos no segundo turno das eleições de 2022, ante 41,19% de Lula. Na cúpula da campanha de Flávio, o engajamento de Michelle é considerado central para ajudar a candidatura a ganhar tração entre mulheres e evangélicos, segmentos do eleitorado que também estão na mira do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com quem Flávio vai disputar votos no campo da direita. Mal-estar A relação de Michelle com Flávio, que nunca foi boa, se deteriorou em novembro do ano passado, quando ela criticou publicamente a aliança do bolsonarismo com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, articulada pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE). Ao participar do lançamento da pré-candidatura ao governo do senador Eduardo Girão (Novo), Michelle chamou a articulação com o tucano de precipitada, causando mal-estar no partido. Depois disso, Flávio desautorizou Michelle publicamente, dizendo que a madrasta foi “autoritária” e “atropelou o próprio presidente Bolsonaro”, que tinha autorizado o movimento do deputado. A ex-primeira-dama até fez um aceno ao enteado, desejando-lhe feliz aniversário em 30 de abril, mas ela insiste em um pedido de desculpas de Flávio.