Calibrar a transparência não é retrocesso para o Fed. Enquanto isso, derrapadas do BC do Brasil em sua comunicação ferem a credibilidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 18:16 Novo presidente do FOMC propõe menos transparência no Fed em meio a incertezas econômicas Kevin Warsh, novo presidente do FOMC, propõe reduzir a transparência na comunicação do Fed para ajustar decisões monetárias às atuais incertezas, contrastando com os antecessores que aumentaram a clareza nos comunicados. Warsh critica o "forward guidance" e busca revisar práticas do Fed, enquanto o Banco Central do Brasil enfrenta desafios na comunicação que afetam sua credibilidade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O novo presidente do comitê de política monetária do Fed (FOMC), Kevin Warsh, inicia seu mandato com mudanças que visam robustecer as decisões de política monetária. Dentre elas inclui-se a menor transparência da comunicação com o mercado. Apesar de ser um movimento na direção contrária àqueles promovidos por presidentes anteriores, ele reflete a necessidade de recalibrar o grau de transparência às atuais circunstâncias. Os principais passos na direção de maior transparência vieram com Ben Bernanke (fev/2006 a jan/2014), em meio à adoção do regime de metas de inflação, que recomenda comunicação mais transparente como instrumento para reforçar o compromisso do banco central com a meta. Bernanke introduziu as coletivas trimestrais com a imprensa. Posteriormente, com o estresse financeiro e o lento crescimento da economia após a crise global de 2008-09, que levou o Fed a derrubar a taxa de juros para a faixa de zero (zero lower bound), passou-se a divulgar as projeções do FOMC (dot plots, um gráfico com as projeções individuais dos seus membros), inclusive para taxa de juros. Era uma forma de sinalizar que os juros ficariam baixos por período prolongado, já que não havia espaço para mais cortes. Jerome Powell (fev/2018 a mai/2026) aprofundou o movimento, mesmo com o aumento das incertezas desde a pandemia, uma situação muito diferente da crise anterior de crédito global, que demandava maior visibilidade dos agentes em relação ao comportamento futuro dos juros. Ele tornou mensais as coletivas com a imprensa e passou a recorrer mais intensamente à sinalização de decisões futuras (forward guidance). Não sem razão, Warsh é particularmente crítico do forward guidance, inclusive aquele feito por meio da divulgação das projeções econômicas. Com esse pensamento, o comunicado após a decisão recente de manter a fed funds rate estável (3,5% a 3,75% aa) foi mais enxuto, abstendo-se de sinalizar os próximos passos, pois ele julga algo inadequado frente às atuais circunstâncias, mais incertas. Além disso, ele não incluiu suas projeções no dot plots, apesar de serem anônimas. Warsh pretende criar cinco grupos de trabalho para revisar as práticas operacionais e estratégicas do Fed. Além da reavaliação da comunicação do FOMC, ele pretende ampliar e aprimorar as fontes de dados utilizadas para as decisões de política monetária; mudar os indicadores de inflação utilizados como referência; rever a política de reservas, ampliadas na pandemia; e aprofundar estudos sobre produtividade e emprego, incluindo a avaliação do impacto da inteligência artificial. Sua iniciativa condiz com as atuais circunstâncias e os novos temas que impactam o processo decisório dos bancos centrais. E nada como um novo presidente, que carrega boa reputação, para fazê-lo. Suas credenciais decorrem, em parte, de sua crítica, acertada, aos juros baixos por período prolongado no pós pandemia — a alta dos juros só veio em março de 2022 com a inflação em quase 8% na variação anual. Calibrar a transparência não representa um retrocesso e tampouco fere a credibilidade do Fed, pelo contrário. Em contexto de incerteza elevada, a comunicação excessivamente detalhada pode gerar reações desproporcionais do mercado e limitar a capacidade de ajuste da política monetária a novas informações. Warsh avalia que o mercado financeiro moderno, com mais instrumentos de análise, tornou-se ainda mais sensível à comunicação dos bancos centrais, fazendo interpretação excessiva e reagindo de forma desproporcional. Caberia, pois, uma abordagem do Fed mais cautelosa e menos exposta à interpretação pública imediata. A comunicação dos bancos centrais sobre como tomam suas decisões de taxa de juros (“função reação”, no jargão técnico) é crucial, mas convém cautela no grau de transparência, especialmente nas sinalizações dos próximos passos, inclusive aquelas derivadas da divulgação das projeções econômicas. Excessos podem acabar machucando a credibilidade do banco central em caso de mudanças de cenário, risco particularmente alto em momentos de maior incerteza. Enquanto isso, derrapadas do Banco Central do Brasil em sua comunicação ferem sua credibilidade. Isso apesar do grande aperto monetário e com efeitos ainda se materializando na economia. Ajustes se fazem necessários.
No Fed, ajustes necessários às mudanças do tempo
Calibrar a transparência não é retrocesso para o Fed. Enquanto isso, derrapadas do BC do Brasil em sua comunicação ferem a credibilidade












