Entrar no helicóptero ACH145 Mercedes-Benz Edition com as portas fechadas e perceber que sete pessoas conseguem conversar em tom normal, sem fones de ouvido, é o primeiro impacto a bordo dessa máquina de R$ 78 milhões. Assim como cruzar a porta do jatinho Falcon 6X, avaliado em R$ 300 milhões, e não precisar dobrar a cabeça, dá alguma satisfação a mais. As duas aeronaves estão entre as mais cobiçadas do mercado de aviação executiva e têm o Brasil como ponto de partida comercial. O GLOBO conheceu as aeronaves em um voo demonstrativo que antecipou a 5ª edição do Catarina Aviation Show, realizado no São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional, em São Roque. Categorias diferentes, públicos que se sobrepõem e uma lógica em comum: o público que compra essas aeronaves não está buscando apenas luxo, mas sim o controle sobre a própria agenda. Em um país continental, empresários têm o tempo como ativo mais escasso e caro do mercado. Classe G com hélice A parceria entre Airbus e Mercedes-Benz levou cinco anos para sair do papel, e o resultado está à vista (e ao toque) assim que a porta do ACH145 se fecha. A cabine para até sete passageiros projeta no helicóptero o famoso Classe G. O mesmo couro com costuras contrastantes, o mesmo piso de madeira, cada superfície parece ter sido especificamente pensada para o conforto dos passageiros. Interior do ACH145 assinado pela Mercedes-Benz — Foto: Edilson Dantas / O Globo Entre os dois bancos traseiros, um cooler embutido no console. Na divisória que separa passageiros da cabine de comando, estrelas tridimensionais da marca alemã em alto-relevo sobre couro. A engenharia vai na mesma direção, com um rotor principal de cinco pás que elimina as vibrações características dos helicópteros convencionais. O sistema de insonorização acústica faz o resto: com as portas fechadas, sete pessoas conseguem conversar em tom normal, sem fones. Dois motores entregam velocidade de cruzeiro de 241 km/h e autonomia de 3h35min, distância suficiente para cruzar o território paulista de ponta a ponta sem reabastecer. Cabine do helicóptero ACH145 Mercedes-Benz Edition — Foto: Edilson Dantas / O Globo A personalização segue a lógica da marca parceira: são seis combinações de acabamento interno baseadas na paleta do Mercedes AMG G 63, mas o catálogo é essencialmente o catálogo completo da Mercedes. Se o cliente quiser outra cor, a Airbus viabiliza. O processo de produção do interior, executado por um fornecedor italiano sob supervisão técnica da Airbus, leva cerca de quatro meses, em paralelo à fabricação da aeronave, que chega desmontada no Brasil e é finalizada na fábrica da Helibras em Itajubá, Minas Gerais. O preço base de R$ 78,6 milhões é o ponto de partida. Falcon 6X no Aeroporto São Paulo Catarina antes de voo de demonstração — Foto: Divulgação/Dassault São Paulo-Londres sem escalas Se o helicóptero domina a cidade, o Falcon 6X cruza oceanos. O jato da francesa Dassault, que também fabrica caças de guerra, agrega tecnologia que migrou do setor militar diretamente para os sistemas de voo desta aeronave. A principal característica é física, com a cabine mais alta e mais larga da aviação executiva: 1,98 metro de altura e 2,58 metros de largura, com 30 janelas extragrandes e uma claraboia sobre a cozinha, que enche o espaço de luz natural. Interior do jato Falcon 6x, a francesa Dassault — Foto: Divulgação/Dasault Diferentemente da grande maioria dos jatos executivos, o passageiro não precisa andar curvado ao circular na cabine. Com autonomia superior a 10 mil quilômetros, o 6X conecta São Paulo a qualquer ponto dos Estados Unidos ou à maior parte da Europa sem escalas, e pode atingir Mach 0,85 em rotas como São Paulo-Chicago ou Paris-Pequim. A cabine acomoda de 12 a 16 passageiros em três seções independentes e níveis de ruído abaixo de 50 decibéis, considerado baixíssimo para a categoria. Para os clientes mais exigentes, é possível configurar uma suíte master completa, com cama de casal e chuveiro a bordo. Avaliado em cerca de R$ 300 milhões, o Falcon 6X recebeu certificação da FAA e da EASA, e está em fase final de certificação para operar no Brasil. Segundo Rodrigo Pessoa, vice-presidente de vendas da Dassault para a América Latina, as duas primeiras vendas do modelo irmão de longo alcance, o Falcon 10X — capaz de ir de São Paulo a Auckland sem escalas —, foram feitas para clientes brasileiros e a empresa espera recepção parecida com o irmão menor.
Novos helicópteros e jatinhos no ar: conheça as aeronaves mais exclusivas do mundo que estão chegando ao Brasil
O GLOBO faz voo demonstrativo em helicóptero inspirado no icônico Classe G da Mercedes e no Falcon 6X, que tem a maior cabine da aviação executiva (do planeta?) e autonomia para cruzar o Atlântico






