Tekever desenvolve drones para coleta de informações, vigilância e reconhecimento em campo de batalha — Foto: Reprodução A startup portuguesa de drones Tekever planeja construir uma base de produção de drones de defesa no Japão, disseram fontes ao “Nikkei Asia”. A trading japonesa Marubeni será sua agente de vendas no Japão para ajudar a desenvolver uma base de clientes. Utilizando tecnologias de drones de empresas japonesas, como sensores, a startup pretende estabelecer uma cadeia de suprimentos doméstica e exportar seus drones para toda a Ásia. A empresa está atualmente selecionando um local de produção e espera anunciar detalhes nos próximos meses. Acredita-se que seja a primeira empresa estrangeira de defesa a estabelecer uma base de produção no Japão. A Tekever desenvolve drones projetados para coleta de informações, vigilância e reconhecimento em campo de batalha, que são considerados sem capacidade letal. Seus drones podem voar mais de 2 mil quilômetros com uma única carga e espera-se que tenham dupla utilização, com uso civil previsto em operações da guarda costeira e monitoramento de infraestrutura. A empresa forneceu drones à Ucrânia e afirma ter ajudado a infligir cerca de 3 bilhões de libras (US$ 4 bilhões) em danos a ativos militares russos, incluindo sistemas de defesa aérea, nos últimos três anos. Com base em dados de mais de 10 mil horas de operações em campo de batalha, a Tekever aprimorou a capacidade de seus drones de neutralizar sinais de interferência. Os drones podem continuar voando mesmo quando os sinais de navegação GPS ou de comunicação por rádio são interrompidos. "Vamos nos concentrar na conectividade", disse o executivo-chefe (CEO) da Tekever, Ricardo Mendes, ao “Nikkei Asia”. "Em como esses drones se comunicam entre si e com os humanos, e em ter a base industrial para poder produzi-los de forma soberana." A longo prazo, a empresa quer explorar a fabricação de drones inteiramente com peças fabricadas no Japão, por meio de parcerias com empresas locais. "Acho que cada país precisa pensar em sua estratégia de desenvolvimento industrial. Falando sobre o Japão, esperamos poder ajudar o país a dar passos sólidos nessa área, utilizando sua indústria avançada, inclusive na robótica", disse Mendes. A empresa pretende fazer do Japão sua base de exportação asiática. Em abril, o Japão revisou seus três princípios sobre a exportação de equipamentos e tecnologia de defesa, abrindo caminho para a exportação de equipamentos de defesa letais. Com a aprovação do governo, espera-se que a exportação de drones também se torne possível. "A dependência de importações de itens de defesa consumíveis, como drones, pode apresentar problemas em situações de contingência", disse Hirohito Ogi, pesquisador sênior do Instituto de Geoeconomia. "É necessário estabelecer um certo nível de capacidade de produção nacional, e uma maneira de alcançar isso é garantir mercados por meio de exportações em tempos de paz." Desde a guerra na Ucrânia, o uso em massa de drones não tripulados de baixo custo tornou-se uma nova forma de combate. No início deste mês, Moscou foi alvo de dois ataques com drones ucranianos e uma refinaria de petróleo foi danificada. Para combater ataques com drones, os sistemas de defesa precisam se concentrar mais em drones baratos, capazes de vigilância e interceptação, em vez de depender de mísseis caros. O Japão, no entanto, ainda não possui uma base de produção em massa para drones.
Startup portuguesa fabricará drones de defesa no Japão para exportação na região da Ásia
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