O relato pode ser decisivo para o ministro Alexandre de Moraes revogar ou não a prisão domiciliar do ex-presidente Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Adriano Machado/REUTERS O ex-presidente Jair Bolsonaro disse em depoimento realizado nesta terça-feira (23) que a arma registrada em seu nome e apreendida em uma blitz estava com um militar responsável por sua segurança para que fossem feitos reparos no armamento. Ele repetiu parte dos argumentos já utilizados pela defesa em resposta enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada. O depoimento foi conduzido pelo delegado Thiago Boeing, da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Boeing chegou na residência por volta das 14h30 e saiu às 15h10. O procedimento foi curto. Bolsonaro teria sido ouvido por só cinco minutos. A oitiva ocorre às vésperas do fim da prisão domiciliar temporária concedida a Bolsonaro por Moraes. O benefício foi dado por 90 dias e o prazo acaba nesta quinta-feira (25). Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e, em março, foi autorizado a cumprir a pena em casa por questões de saúde. Segundo ministros do STF, o depoimento pode ser decisivo para Moraes revogar ou não a domiciliar. Se o benefício for revogado, o ex-presidente pode voltar ao 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda e conhecido como "Papudinha". A arma foi apreendida no dia 15, durante uma blitz realizada pela Polícia Militar de Brasília. O objeto estava no assoalho do carro do sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, que atua na segurança do ex-chefe do Executivo. A defesa de Bolsonaro admitiu que o ex-presidente tinha uma arma em casa, mas afirmou que o equipamento estava inoperante e foi retirado da residência para ser levado para o conserto. Segundo o relato da abordagem policial, a arma estava registrada e foi tornada inoperante por seguranças do ex-presidente. De acordo com os advogados, eles retiraram o percussor da arma para que ela não funcionasse por cautela com Bolsonaro. “Embora possuísse regularmente o armamento, as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas, capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”, disse a defesa. Bolsonaro teria constatado que a arma não funcionava, mas não conseguiu identificar o motivo. Por isso, teria pedido ao auxiliar, que foi pego com o equipamento na blitz, que verificasse o armamento. Ao cobrar explicações, Moraes determinou que o 19º Batalhão da PMDF, responsável pelas medidas de segurança durante o regime domiciliar de Bolsonaro, esclarecesse se está sendo cumprida a ordem de revista nos carros que saem da residência do ex-presidente. Em ofício enviado à Corte, a PM disse que, como os veículos utilizados por agentes que seriam do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) não entram na garagem, pois ficam estacionados em via pública, eles não são submetidos a vistorias. O GSI, no entanto, afirmou em nota que não é responsável pela segurança de ex-presidentes, inclusive de Bolsonaro, e que Silva Filho, com quem estava a arma, não integra os quadros do órgão. “Os servidores à disposição dos ex-presidentes são de livre indicação dos mesmos e não estão subordinados nem vinculados operacionalmente ao GSI”, explicou. Em nota divulgada após o depoimento, o advogado Paulo Amador da Cunha Bueno, que defende Bolsonaro e acompanhou a oitiva, disse que espera o arquivamento da apuração. “A arma era de sua propriedade, estava devidamente registrada e, tendo em vista que não houve determinação de cancelamento de seu registro e entrega da arma, a mesma deveria, de fato, estar em seu endereço residencial”, afirmou. “Sobre a arma, ao manusear o presidente constatou a existência de defeito, razão porque solicitou a um dos seus seguranças, sargento do exército com expertise de manutenção daquele modelo, que verificasse qual problema. Em momento algum houve intuito de descumprir qualquer determinação legal, sendo certo que se trata de episódio criminalmente acromático. Aguardamos que o inquérito, em trâmite na Polícia Civil do Distrito Federal, seja, em breve, arquivado”, concluiu.