Como ferramentas digitais transformaram a gestão, a comercialização e a tomada de decisão no agronegócio nacional. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Wander Aguilera Almeida — Foto: Divulgação A imagem do produtor rural tomando decisões com base na experiência acumulada e no conhecimento do clima local ainda existe, mas divide espaço com uma realidade bem diferente. Aplicativos de monitoramento de safra, plataformas de comercialização online e sistemas de análise de preço em tempo real chegaram ao campo e mudaram a forma como o agricultor brasileiro planeja, produz e vende. Wander Aguilera Almeida, empresário do agronegócio e facilitador de negócios no setor agrícola, acompanha essa transformação de perto e examina o que ela significa para quem vive e trabalha no campo. A tecnologia chegou ao campo brasileiro A digitalização do agronegócio não aconteceu de uma hora para outra. Foi um processo gradual, impulsionado pela combinação de acesso crescente à internet em zonas rurais, barateamento de dispositivos móveis e desenvolvimento de ferramentas pensadas especificamente para as necessidades do produtor rural. Hoje, um agricultor no interior do Mato Grosso ou de Minas Gerais consegue acompanhar a cotação da soja em Chicago, monitorar a umidade do solo por sensores instalados na lavoura e fechar negócios com compradores de outros estados sem sair da propriedade. Esse movimento, porém, não foi uniforme. Produtores de grande porte adotaram a tecnologia mais rapidamente, com estrutura e capital para investir em soluções sofisticadas. Os de médio e pequeno porte chegaram depois, muitas vezes por meio de plataformas mais acessíveis e de parceiros que os ajudaram a entender como usar essas ferramentas na prática, como observa Wander Aguilera Almeida. A curva de adoção ainda está em curso, e grande parte do potencial da digitalização no campo brasileiro ainda está por ser explorado. O impacto na tomada de decisão do produtor rural Antes da digitalização, decidir quando e para quem vender a produção dependia quase exclusivamente de informações obtidas por telefone, em reuniões presenciais ou por meio de intermediadores locais. Esse modelo funcionava, mas deixava o produtor exposto a assimetrias de informação que frequentemente resultavam em negociações desfavoráveis. Com acesso a dados de mercado em tempo real, o produtor passou a chegar às negociações mais bem informado e com maior capacidade de comparar propostas. Nesse contexto, Wander Aguilera Almeida ressalta que a tecnologia não substituiu a necessidade de parceiros confiáveis na comercialização, mas mudou o perfil da relação. O produtor, que antes dependia quase inteiramente do intermediador para entender o mercado, agora busca um parceiro que some conhecimento ao que ele já tem, não que substitua o que ele não sabe. Tecnologia e relacionamento: uma combinação que o agro aprendeu a equilibrar Um equívoco comum sobre a digitalização do agronegócio é imaginar que ela tende a eliminar as relações humanas das negociações. Na prática, o que se observa é o oposto. As ferramentas digitais automatizam processos operacionais e ampliam o acesso à informação, mas a confiança entre produtor e comprador continua sendo construída no contato direto, na consistência das entregas e no histórico de relações bem conduzidas. A Agroforte opera com essa compreensão como base, combinando o uso de recursos digitais com um modelo de atendimento próximo ao produtor rural. Para Wander Aguilera Almeida, a tecnologia é um meio, não um fim. O que define a qualidade de uma negociação no agronegócio continua sendo a seriedade de quem participa dela, independentemente das ferramentas utilizadas. O produtor rural do futuro já está se formando hoje A geração de produtores rurais que está assumindo as propriedades da família nos últimos anos cresceu em contato com tecnologia e tem uma relação mais natural com ferramentas digitais do que as gerações anteriores. Esse perfil muda as expectativas sobre como as negociações devem acontecer e que tipo de suporte o produtor espera de seus parceiros comerciais. Diante disso, empresas e profissionais do agronegócio que não acompanharem essa transição tendem a perder relevância num prazo mais curto do que imaginam. O campo brasileiro se digitalizou mais rápido do que muitos previram, e esse ritmo não deve desacelerar. Para Wander Aguilera Almeida, compreender essa mudança não é opcional para quem quer continuar sendo um parceiro relevante para o produtor rural brasileiro nos próximos anos.