Estudos indicam que fatores ambientais cotidianos e a inflamação no cérebro poderiam influenciar o sono, o ritmo circadiano e as alterações relacionadas à doença 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A luz artificial noturna pode influenciar o risco ou a progressão da doença de Alzheimer por meio de vias circadianas e neuroimunes. — Foto: Freepik RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 12:25 Luz noturna e inflamação cerebral afetam sono no Alzheimer, diz estudo Pesquisas recentes indicam que a luz noturna e a inflamação cerebral podem impactar o sono e os ritmos circadianos, influenciando a progressão do Alzheimer. Estudos da Universidade de Kentucky mostram que a exposição à luz fraca à noite perturba ritmos diários e agrava a acumulação de proteína amiloide. O tratamento com MW151, que atua na sinalização inflamatória, melhorou padrões de sono, destacando a neuroinflamação como fator modificável na qualidade do sono em Alzheimer. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um número crescente de pesquisas sugere que o sono pode ser mais do que um sintoma da doença de Alzheimer — ele também pode desempenhar um papel na forma como a doença se desenvolve e progride. Agora, novas pesquisas lançam luz sobre como fatores ambientais cotidianos e a inflamação cerebral podem influenciar o sono, os ritmos circadianos e as alterações associadas ao Alzheimer. A má qualidade do sono e a perturbação dos ritmos circadianos são comuns na doença de Alzheimer e frequentemente surgem anos antes do desenvolvimento de sintomas cognitivos graves. Os dois novos estudos reforçam as evidências crescentes de que o sono e a saúde circadiana podem ser fatores importantes no envelhecimento cerebral. Nos trabalhos, pesquisadores do Centro Sanders-Brown sobre o Envelhecimento, da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos, buscaram investigar como a exposição à luz fraca durante a noite e a neuroinflamação afetam o sono e os ritmos biológicos em modelos de doença de Alzheimer. Em conjunto, as descobertas apontam para fatores potencialmente modificáveis ​​que podem influenciar a saúde cerebral durante o envelhecimento. "Estes estudos examinam por que o sono e os ritmos biológicos diários sofrem perturbações na doença de Alzheimer, e se essas perturbações são influenciadas tanto pelo ambiente externo quanto pela inflamação no interior do cérebro", afirma Adam Bachstetter, autor principal do estudo e professor associado de neurociência na Faculdade de Medicina da Universidade de Kentucky (UK), em comunicado. O primeiro estudo, publicado na revista científica SLEEP, examinou como a luz fraca à noite — semelhante à exposição à luz de televisores, celulares, iluminação de corredores ou postes de rua — afeta os ritmos circadianos e as alterações cerebrais associadas ao Alzheimer. Os resultados mostraram que a exposição à luz noturna perturbava os ritmos de atividade diária, reduzindo a estabilidade do ritmo e aumentando a fragmentação. Em modelos de doença de Alzheimer, a exposição à luz fraca também agravou ligeiramente o acúmulo de proteína amiloide e alterou a atividade da microglia, levando-a a um estado de maior ativação imunológica. Um editorial que acompanhou a publicação na SLEEP destacou a importância mais ampla das descobertas, descrevendo a luz artificial noturna como um fator ambiental potencialmente modificável que poderia influenciar o risco ou a progressão da doença de Alzheimer por meio de vias circadianas e neuroimunes. O segundo estudo, publicado na revista revista científica Alzheimer's & Dementia, concentrou-se nos fatores que podem levar à má qualidade do sono, uma vez que a patologia associada ao Alzheimer já está presente. Os pesquisadores monitoraram padrões de sono, ritmos de atividade, cognição e sinalização inflamatória ao longo do tempo em modelos de doença de Alzheimer. O estudo constatou que a perturbação do sono e ritmos circadianos mais fragmentados surgiam na meia-idade — antes do aparecimento de déficits de memória significativos. Em seguida, os pesquisadores testaram o MW151, um composto desenvolvido por Linda Van Eldik, diretora do Sanders-Brown, que atua na sinalização inflamatória excessiva proveniente de células gliais no cérebro. O tratamento com MW151 melhorou os padrões de sono e restaurou ritmos diários mais típicos sem reduzir o acúmulo de amiloide, sugerindo que a inflamação — e não apenas a amiloide — pode ser a causa da perturbação do sono na doença de Alzheimer. "Agora sabemos que o sono pode ser melhorado sem reduzir o amiloide", diz Bachstetter. "Essa descoberta separa a perturbação do sono da carga de amiloide e aponta a sinalização neuroinflamatória como um fator modificável que contribui para a má qualidade do sono na patologia associada ao Alzheimer." Saúde do sono Embora a pesquisa ainda esteja em fase pré-clínica e não se traduza diretamente em recomendações clínicas para humanos, os pesquisadores afirmam que as descobertas reforçam as orientações atuais sobre saúde do sono e apontam para futuras possibilidades terapêuticas. "Medidas práticas, como reduzir a exposição desnecessária à luz durante a noite, manter horários de sono consistentes e favorecer ritmos circadianos saudáveis, são estratégias de baixo risco que se alinham às orientações atuais sobre saúde do sono", afirma a coautora Marilyn Duncan, professora de neurociência na Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Kentucky (UK).