Apesar da fala do americano, Teerã afirmou não ter planos de permitir que suas instalações nucleares danificadas por bombardeios da guerra sejam inspecionadas pela ONU O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de assinar duas ordens executivas sobre computação quântica, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 22 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (23) que o Irã concordou em se submeter ao “mais alto nível” de inspeções nucleares por um longo período e disse que, sem esse compromisso por parte da República Islâmica, “não haveria novas negociações”. “Apesar dos protestos e das declarações falsas em contrário, somados à campanha incessante da imprensa de notícias falsas, que está fazendo todo o possível para minimizar a vitória dos Estados Unidos e fazê-la parecer pequena e insignificante, o Irã concordou plena e integralmente com inspeções nucleares no mais alto nível por um longo período no futuro (para sempre!!!). Isso garantirá a 'honestidade nuclear'. Se eles não tivessem concordado com isso, não haveria novas negociações!”, escreveu Trump em publicação na Truth Social. Apesar da fala do americano, o Irã afirmou, também nesta terça-feira, não ter planos de permitir que suas instalações nucleares danificadas por bombardeios da guerra sejam inspecionadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), de acordo com reportagem do New York Times. Na segunda-feira, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, que liderou negociações com o país persa na Suíça, chegou a declarar que Teerã pretendia conceder acesso a alguma de suas instalações nucleares danificadas pela guerra a inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas, ainda nesta semana. Na ocasião, Vance classificou a medida como um primeiro passo para impedir que o país tenha uma arma nuclear. Questionado sobre o assunto em uma coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, respondeu “não”. “Não tivemos discussões detalhadas sobre a questão nuclear”, acrescentou ele mais tarde, segundo a imprensa estatal iraniana. O Irã, que há anos afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos, reduziu a cooperação com inspetores internacionais após Donald Trump retirar os Estados Unidos, em 2018, do acordo nuclear firmado em 2015 pelo presidente Barack Obama. Depois dos ataques americanos e israelenses de junho de 2025, Teerã passou a restringir o acesso à maior parte de suas instalações nucleares. Na postagem desta terça-feira, Trump também afirmou ter concordado em permitir que o Estreito de Ormuz permaneça aberto, sem novo bloqueio naval. “No entanto, todos os navios permanecerão posicionados caso seja necessário restabelecer o bloqueio, o que, neste momento, parece altamente improvável”, complementou ponderando. É esperado que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, discuta o acordo preliminar durante uma viagem que começa nesta terça-feira aos Emirados Árabes Unidos, ao Kuwait e ao Bahrein. Entre os temas centrais estará justamente a navegação pelo por Ormuz, cuja segurança é considerada essencial para garantir o fluxo de embarcações comerciais por uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás. Já sobre os recursos financeiros e o alívio de sanções relacionadas ao Irã, o presidente americano disse que o "Tesouro dos Estados Unidos está liberando serão depositados em uma conta de garantia [escrow], controlada pelos EUA, e serão usados exclusivamente para a compra de alimentos e suprimentos médicos dos Estados Unidos, incluindo milho, trigo e soja produzidos por nossos grandes agricultores americanos. São itens dos quais o Irã necessita desesperadamente”. “Trata-se de uma crise humanitária, e considero necessário ajudar, AGORA, antes que seja tarde demais. As negociações estão indo bem!”, concluiu na publicação.
Trump diz que Irã concordou com o 'mais alto nível' de inspeções nucleares
Apesar da fala do americano, Teerã afirmou não ter planos de permitir que suas instalações nucleares danificadas por bombardeios da guerra sejam inspecionadas pela ONU








