País da Ásia Central ultrapassa casa dos dois bilhões de dólares com exportação de algodão Seleção do Uzbequistão na Copa do Mundo 2026 — Foto: Raquel Cunha/Reuters Localizado na Ásia Central, o Uzbequistão faz fronteira com o Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Afeganistão e Turcomenistão. O país, sem acesso ao mar, encontra-se entre dois rios: Syr Darya e Amu Darya. No quesito geofísico, quase quatro quintos do território uzbeque é área de aparente deserto, segundo a Enciclopédia Britânica. O clima árido, muita luz solar e uma precipitação de 200 mm por ano caracterizam as condições climáticas e territoriais do país. Localização do Uzbequistão no mapa — Foto: Reprodução/Google Maps Seu povo, que antes estava sob domínio da União Soviética, é turco e tem o uzbeque como idioma oficial, que é uma ramificação das línguas turcas. De acordo com a Enciclopédia Britânica, 76,2% da população é muçulmana sunita. Em 2026, o país conta com 37,7 milhões de habitantes. Em uma república presidencialista autoritária, o país conta com o presidente Shavkat Mirziyoyev, que atua como chefe de Estado desde 2016, e o primeiro-ministro Abdulla Aripov, que é chefe de Governo desde 2016. Algodão: o ouro branco do país O Uzbequistão é o sétimo maior produtor de algodão no mundo. Essa herança do país, que integrava a rota da seda, está presente inclusive em sua bandeira. Dentre as cores, o verde representa o Islã, o azul faz referência à água e o branco representa, além da paz, o algodão abundante. Bandeira do Uzbequistão — Foto: Aerra Carnicom/Wikimedia Commons Em 2025, o país da Ásia Central arrecadou US$ 2,3 bilhões com a exportação de produtos têxteis, de acordo com o Comitê Nacional de Estatísticas do Uzbequistão. Só nos primeiros quatro meses deste ano, o país obteve US$ 454,5 milhões. Os valores, porém, vêm após 11 anos de boicote por parte do mercado internacional de algodão devido ao trabalho forçado no país. O bloqueio, organizado pela Cotton Campaign, terminou em 2021, quando a Organização Internacional do Trabalho (OIT) concluiu que não havia mais trabalho forçado no setor algodoeiro no país. A Cotton Campaign é uma coalizão de grupos, como ONGs, sindicatos e parceiros acadêmicos, que busca acabar com o trabalho forçado e promover condições decentes em cadeias de suprimentos de algodão na Ásia Central. Sob o governo autoritário de Islam Karimov, que morreu em 2016, o Uzbequistão enfrentava um cenário marcado por violência e pobreza. Em 2007, quando a prática foi denunciada pela Cotton Campaign, 26,3% da população vivia abaixo da linha da pobreza — grupo especialmente vulnerável ao trabalho forçado na colheita de algodão. O Uzbequistão forçava mais de dois milhões de pessoas, incluindo crianças, a trabalhar na colheita de algodão, de acordo com Banco Mundial e OIT. Além disso, o governo uzbeque pressionava diversos segmentos da sociedade, como professores, estudantes, servidores públicos, profissionais de saúde e trabalhadores do setor privado, a participar da colheita sob ameaça de demissão e perda de benefícios. Apesar do isolamento no mercado internacional, a pressão por mudanças e pelo fim do trabalho forçado no país só ganhou força em 2017, com a chegada do presidente Shavkat Mirziyoyev ao poder, após a morte de Karimov. Com a proposta de modernizar a economia, eliminar o trabalho forçado e reduzir o autoritarismo herdado do governo anterior, Mirziyoyev passou a adotar medidas mais concretas para combater esse tipo de prática. Colheita de algodão em Uzbequistão — Foto: Foto: Bernard Gagnon/Wikimedia Commons Uma das medidas tomadas pelo governo uzbeque no combate ao trabalho forçado foi cooperar com a OIT no monitoramento do trabalho rural no país. O governo também eliminou o controle do Estado sobre a produção de algodão e facilitou os "clusters têxteis": empresas privadas que controlam desde o plantio do algodão até a fabricação de tecidos e vestuário final. Os produtos têxteis exportados pelo país abrangem produtos como camisetas, meias e tapetes, além de fios, tecido e produtos tricotados — o país antes exportava somente matéria-prima. A receita anual com exportações têxteis do país passou a superar consistentemente a marca de US$ 2 bilhões. Em 2022, primeiro ano após o fim do boicote, o setor gerou US$ 2,9 bilhões. Em 2023, o valor avançou para US$ 3,05 bilhões. Já em 2024, voltou ao patamar de US$ 2,9 bilhões, segundo o comitê. *Estagiária sob supervisão de Diogo Max