O jogo entre França e Iraque pela Copa do Mundo foi suspenso no intervalo nesta segunda-feira (22), após a detecção de raios nas proximidades do Lincoln Financial Field, na Filadélfia. A França vencia por 1 a 0 quando a paralisação foi determinada. Alertas nos celulares e nos telões orientaram os torcedores a deixar as arquibancadas e procurar abrigo. O jogo só pode recomeçar após 30 minutos sem novas descargas nessa área. Caso outro raio seja detectado durante esse período, a contagem volta ao início. A tempestade que atingiu a Filadélfia ocorreu em uma região onde as chuvas extremas se tornaram mais intensas nas últimas décadas. Entre 1958 e 2021, o volume de precipitação registrado no 1% dos dias mais chuvosos aumentou 60% no Nordeste dos Estados Unidos, segundo o Quinto Relatório Nacional de Avaliação do Clima do país. ➡️ Foi a maior alta entre todas as regiões americanas. Agora no g1 Segundo especialistas, esse aumento está relacionado ao aquecimento da atmosfera. O ar mais quente consegue reter uma quantidade maior de vapor de água, o que aumenta a umidade disponível para alimentar as tempestades. A cada 1,1°C de aquecimento, a atmosfera pode armazenar cerca de 8% mais vapor de água. Quando uma frente fria ou outra instabilidade força esse ar quente e úmido a subir, o vapor se condensa e pode provocar volumes maiores de chuva em pouco tempo. O calor próximo à superfície também favorece a subida do ar e o crescimento das nuvens de tempestade. Com mais calor e umidade disponíveis, esses sistemas podem produzir chuva intensa, rajadas de vento, granizo e descargas elétricas. Chuvas fortes ficaram mais intensas em quase todas as regiões dos Estados Unidos entre 1958 e 2021, segundo o relatório climático do país. — Foto: USGCRP Isso não significa que toda tempestade seja causada pelas mudanças climáticas. Esses eventos dependem de uma combinação de temperatura, umidade, instabilidade e circulação dos ventos. Essa tendência já aparece nos registros de chuva de curta duração. Uma análise de 150 localidades americanas mostrou que 136 tiveram aumento da intensidade média da precipitação por hora entre 1970 e 2022. A alta média foi de 13% e chegou a 40% em alguns locais. Estudos também apontam que a frequência de raios pode aumentar com a elevação das temperaturas. Uma pesquisa publicada na revista científica “Science” estimou crescimento de cerca de 12% nas descargas elétricas nos Estados Unidos para cada grau de aquecimento. LEIA TAMBÉM:
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Partida foi interrompida na Filadélfia após descargas elétricas perto do estádio. Região teve aumento de 60% no volume de chuva dos eventos mais extremos desde 1958.










