0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia — Foto: Carlos Parra Rios/Bloomberg A vitória de Abelardo de la Espriella na disputa presidencial da Colômbia pode ampliar o “foco” dos Estados Unidos sobre o Brasil na região. A avaliação é compartilhada por diplomatas ouvidos sob reserva pela coluna. Apelidado de “El Tigre”, o ultradireitista Espriella tem cidadania americana e é filiado ao partido Republicano, de Donald Trump, de quem é admirador – assim como se inspira em figuras como Javier Milei e Nayib Bukele, o queridinho de bolsonaristas pela sua dura política de segurança em El Salvador. Na visão de diplomatas, apesar do resultado apertado, o triunfo de Espriella sobre o senador Iván Cepeda, apoiado por Gustavo Petro, aliado de Lula, é mais um capítulo que pode dificultar o diálogo de uma integração regional. Embora o Brasil seja reconhecido pela tradição pragmática nas relações diplomáticas, quem conhece bem o xadrez da América Latina reconhece que questões ideológicas podem contaminar algumas discussões e fomentar uma tendência de polarização. Integrantes do Itamaraty lembram ainda que, com Petro no poder, a Colômbia dividia com o Brasil a atenção dos EUA. O pleito colombiano inclusive era tratado como uma “queda de braço” entre Trump e Petro, alvo de sanções por parte do presidente americano. Historicamente, relatam diplomatas, a Colômbia adota uma postura mais alinhada aos EUA em função sobretudo da guerra às drogas. A reaproximação dos países pode ainda enfraquecer discursos pró-Palestina e em defesa da democracia. No ano passado, junto com Lula e Gabriel Boric, Petro assinou um manifesto internacional contra a ascensão de discursos autoritários e a erosão de instituições democráticas ao redor do mundo. Eram três dos maiores defensores da integração regional na América do Sul. No fim de 2025, o Chile também elegeu o candidato da extrema direita José Antonio Kast, que derrotou Jeannette Jara, nome da esquerda para suceder Boric. Antes dele, o direitista Rodrigo Paz venceu o pleito presidencial na Bolívia. Em reta final das apurações, Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, está cada vez mais perto de se consagrar a nova presidente do Peru. É inegável o avanço da direita no continente.