As big techs gostam de se ver como uma força democratizadora. Fintechs levam serviços bancários aos desbancarizados, o TikTok transforma todo mundo em estrela. Sempre foi um argumento frágil; a inteligência artificial o derruba de vez —ao tornar o acesso a alguns recursos ainda mais exclusivo.
Construir e operar data centers devora materiais; quando a oferta fica para trás, clientes mais estabelecidos vão para o fim da fila. Veja os chips. A Micron, terceira maior fabricante de memória, abandonou o mercado de consumo no início deste ano para atender pedidos de data centers ou, como a empresa colocou, "nossos clientes maiores e estratégicos em segmentos de crescimento mais rápido". Os preços de PCs e outros bens de consumo subiram, assim como os prazos de entrega.
A mão de obra está surgindo como o próximo gargalo. A IA tem atraído mais atenção pelos empregos que está eliminando, mas as big techs —que planejam gastar um total combinado de US$ 725 bilhões em infraestrutura —despertaram para a necessidade de força braçal e habilidades técnicas para construir e manter data centers. Neste mês, a Meta, dona do Facebook, lançou a "America's Workforce Academy" para treinar profissionais qualificados; o Google está empenhado em iniciativas semelhantes.









