A inflação anual no quinto mês do ano chegou a 3,2%, à medida que o impacto da alta dos preços do petróleo, decorrente do conflito com o Irã, continuou sendo repassado aos custos da gasolina A inflação anual do Canadá acelerou mais do que o esperado em maio, atingindo 3,2%, o maior nível em 29 meses, mostraram dados divulgados nesta segunda-feira (22), à medida que o impacto da alta dos preços do petróleo bruto, decorrente do conflito com o Irã, continuou sendo repassado aos custos da gasolina. Analistas consultados pela Reuters estimavam que a inflação anual alcançaria 3% em maio, ante 2,8% registrados em abril. Os preços da gasolina, contudo, já mostram uma forte reversão em junho, após a assinatura de um acordo provisório de paz entre Estados Unidos e Irã na semana passada, o que, segundo analistas, pode ajudar a aliviar o índice cheio da inflação neste mês. Esta é a primeira vez, em quase dois anos e meio, que a inflação cheia do Canadá fica fora da faixa de meta de 1% a 3% do Banco do Canadá (BoC), num momento em que o aumento do custo de vida surge como um desafio político para o primeiro-ministro Mark Carney, que prometeu enfrentar o problema da acessibilidade econômica após seu partido conquistar maioria parlamentar em abril. "Leve decepção" "Nunca é uma boa notícia ver a taxa geral de inflação acima de 3%, mesmo que seja por apenas um mês", afirmou Doug Porter, economista-chefe da BMO Capital Markets. Ele classificou o resultado da inflação de maio como "uma leve decepção no conjunto". A agência Statistics Canada informou que, excluindo o impacto dos preços da gasolina, o índice de preços ao consumidor ainda registrou alta de 2,2% em maio, ante 2% em abril, puxado pelos custos mais elevados de alimentos, lazer e bebidas alcoólicas. A inflação mensal subiu para 1% em maio, superando a expectativa de alta de 0,8%, no maior avanço mensal em 15 meses. Os preços da gasolina em maio avançaram 33,2% na comparação anual. Os consumidores gastaram mais com gasolina em maio do que no pico anterior, há quatro anos, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, informou a Statistics Canada. Isso levou a uma alta nos custos de transporte, que representam cerca de 18,5% da cesta do índice de preços ao consumidor, registrando aumento anual de 9% no mês passado. O resultado da inflação, provavelmente, não alterará a avaliação do Banco do Canadá sobre a inflação subjacente, já que a instituição afirmou, no início deste mês, ver evidências limitadas de que os preços mais altos da energia estejam alimentando uma inflação disseminada pela economia. Os custos dos alimentos, que representam cerca de 17% da cesta do índice, subiram 3,8% em maio, ante 3,5% em abril, informou a Statistics Canada. Segundo o órgão, o movimento foi impulsionado pelo aumento dos preços das frutas frescas e dos vegetais, que avançaram 5,3% e 9%, respectivamente, em maio. O impacto dos preços mais altos de transporte e alimentos foi amplamente compensado pelos custos de moradia, o maior componente da cesta do índice, com participação próxima de 30%. Os custos de moradia subiram 1,7% em maio, após alta de 1,8% em abril, puxados por uma redução de 0,2% nos custos com hipotecas no mês passado, mostraram os dados. A medida de inflação subjacente acompanhada mais de perto pelo mercado permaneceu inalterada em maio. O CPI-median, indicador que reflete o componente central da cesta do índice, ficou em 2,1%, enquanto o CPI-trim, que exclui as variações mais extremas de preços, permaneceu em 2%. "A realidade é que a inflação subjacente permanece essencialmente em linha com a meta e a recente queda acentuada dos preços do petróleo, se persistir, proporcionará um alívio importante para os índices cheios nos próximos meses", acrescentou Porter. É a primeira vez, em quase dois anos e meio, que a inflação cheia do Canadá fica fora da faixa de meta de 1% a 3% do Banco do Canadá (BoC) — Foto: Divulgação
Inflação do Canadá dispara em maio e marca maior nível em 29 meses
A inflação anual no quinto mês do ano chegou a 3,2%, à medida que o impacto da alta dos preços do petróleo, decorrente do conflito com o Irã, continuou sendo repassado aos custos da gasolina











