Endividamento das famílias, em cenário de juros que subiram para tentar equilibrar o descontrole fiscal do governo, especialmente a partir de 2025, pesa nos resultados Principal carro chefe dessa indústria, setor de televisores cresceu pouco: 3% em volume neste ano frente a 2025 — Foto: Unsplash O volume comercializado de produtos eletroeletrônicos entre janeiro e maio alcançou 53,6 milhões de unidades, alta de 11% em relação ao mesmo período de 2025, com destaque para o desempenho de eletrodomésticos e portáteis, segundo balanço publicado nesta segunda-feira (22) pela Associação Nacional dos Fabricantes Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). Trata-se de expansão em cima de uma base fraca de comparação. Em 2025, o setor encerrou o ano com 124,2 milhões de unidades vendidas, com leve variação negativa de 1%. Principal carro chefe dessa indústria no país pelo peso no faturamento, o segmento de televisores cresceu pouco: 3% em volume neste ano frente a 2025, com cerca de 5,6 milhões de unidades. No material publicado, a entidade cita um mercado de TVs numa fase de maior maturidade, apesar do esforço da indústria em buscar novas tecnologias para acelerar vendas. O desempenho acumulado inclui o mês de maio, quando a indústria fazia ações para acelerar a venda de TVs para a Copa do Mundo. Em junho, especificamente, varejistas identificaram aumento de vendas de televisores de tela grande, na casa de dois dígitos, frente ao ano passado, segundo a empresa de pesquisas NielsenIQ (NIQ). Tratam-se dos dados da venda de fabricantes da Zona Franca de Manaus para o varejo, somados àqueles coletados de associados da Eletros, portanto, incluem eventuais produtos estocados pela indústria e não vendidos. “Isso significa que o ritmo de crescimento em volume tende a ser mais moderado do que em anos anteriores, mas continua sustentado pela renovação gradual dos aparelhos e pela preferência dos consumidores por televisores com telas maiores”, disse a entidade em material publicado. Pesa nesse indicador a escalada do endividamento das famílias, em cenário de juros mais elevados que subiram para tentar equilibrar o descontrole fiscal do governo, especialmente a partir de 2025. Efeitos no curto prazo O balanço da Eletros destacou fatores que podem limitar o ritmo de expansão do setor nos próximos períodos. Material da entidade afirma que a combinação de renda comprimida e elevado nível de endividamento reduz a margem das famílias para compras de maior valor, enquanto juros altos encarecem o crédito e tendem a adiar decisões de aquisição de bens duráveis. Paralelamente, elevações de tarifas de importação e a restrição ao acesso a insumos globais mais competitivos elevam custos das empresas e dificultam o planejamento de longo prazo dos grupos. Em relação ao balanço publicado, na chamada “linha branca” (fogões, lavadoras e refrigeradores), as vendas cresceram 16% de janeiro a maio, para cerca de 7,1 milhões de unidades, na comparação com o mesmo período de 2025. Segundo a Eletros, a categoria passa por um ciclo de substituição de aparelhos antigos por modelos mais modernos e eficientes. Já nos itens portáteis (como ferros de passar, liquidificador, aspirador de pó e air fryer), a expansão foi de 15%, para 37,6 milhões de itens. Num cenário de pressão no orçamento das famílias, os consumidores ajustaram a necessidade da compra à capacidade de pagamento, buscando produtos com preços mais competitivos, diz a associação. “Mesmo quando o orçamento está apertado, o consumidor procura soluções que facilitem a rotina e isso mantém o segmento em trajetória de crescimento”, afirma em nota o presidente executivo da entidade, Jorge Nascimento. Em relação ao ar-condicionado, o produto perdeu força após um longo período de crescimento. Houve retração de 17% nas vendas depois de três anos de forte expansão, totalizando cerca de 2,4 milhões de unidades vendidas na comparação com o mesmo período do ano anterior. As temperaturas mais amenas reduziram a demanda. Na linha de tecnologia da informação e comunicação, representada pelos monitores de vídeo, o balanço mostra 13% no volume comercializado entre janeiro e maio, para cerca de 792 mil unidades, em relação ao mesmo período de 2025. Projeções para 2026 Para o fechamento do primeiro semestre, a Eletros projeta que o setor manterá crescimento de dois dígitos, com destaque para o desempenho da linha branca e dos produtos portáteis. Entre os segmentos, a expectativa é de retração de cerca de 17% em ar-condicionado, crescimento de 12% na linha branca, avanço de 2% em TVs, expansão de 31% na linha portátil e queda próxima de 11% em tecnologia da informação e comunicação. “O cenário para o semestre é de crescimento, mas com comportamentos bastante distintos entre os segmentos”, afirma Nascimento.
Em ano de Copa, vendas de TVs crescem só 3% e frio derruba ar-condicionado
Endividamento das famílias, em cenário de juros que subiram para tentar equilibrar o descontrole fiscal do governo, especialmente a partir de 2025, pesa nos resultados









