Em 4 de julho de 2012, cientistas lotaram um grande auditório no Cern (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) para ouvir os resultados de dois experimentos em busca do bóson de Higgs, tão importante no campo da física que ganhou o apelido de "partícula de Deus". Sua detecção confirmaria a existência de um campo que confere massa a todas as outras partículas, como elétrons e quarks.

"Acho que conseguimos", anunciou Rolf-Dieter Heuer, então diretor-geral do Cern, sob aplausos.

O cientista inglês Peter Higgs, que deu nome à partícula, estava na plateia, enxugando as lágrimas. Sentado ao seu lado estava o físico belga François Englert, que, junto com Higgs, ajudou a desenvolver a teoria por trás do que ficou conhecido como campo de Higgs. A teoria se mostrou um ingrediente essencial no Modelo Padrão da física de partículas, a estrutura teórica dos anos 1970 que classifica todas as partículas e forças fundamentais conhecidas.

No ano seguinte, em 2013, Higgs e Englert dividiram o Nobel de Física pela "descoberta teórica de um mecanismo que contribui para nossa compreensão da origem da massa das partículas subatômicas".

Englert morreu na última quinta-feira (18) em Uccle, um subúrbio de Bruxelas, na Bélgica. Ele tinha 93 anos.