A decisão do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, de batizar uma unidade militar com o nome da força responsável por estimadas 100 mil mortes de poloneses com apoio dos nazistas na Segunda Guerra Mundial reabriu uma crise com sua aliada Polônia.

Na sexta-feira (19), o presidente polonês, Karol Nawrocki, retirou a mais alta condecoração do país de Zelenski após o colega dar a uma unidade que luta contra a invasão russa o nome de Exército Insurgente Ucraniano (UPA, na sigla local).

Entre 1943 e 1944, o UPA promoveu o que Varsóvia chama de limpeza étnica de regiões no oeste da Ucrânia, então na linha de frente entre as ocupações nazista e do domínio da União Soviética. No processo, morreram milhares de pessoas, algo que Kiev reconhece, mas não aceita a denominação polonesa de genocídio.

A Ucrânia fala em "tragédia de Volínia e Galícia", nome das regiões afetadas, e lembra que milhares de cidadãos do país morreram em represálias.

Adversário do presidente Nawrocki, um trumpista eleito neste ano, o premiê pró-europeu Donald Tusk pediu para os dois lados abandonarem o debate, que chamou de "erro estratégico".