A meta da Prefeitura de São Paulo é ter 2,2 mil ônibus eletrificados rodando até 2028 Foto: JFDiorio/Secom - 03/11/2025O Brasil já desponta como um dos líderes em eletrificação do transporte público na América Latina. Um estudo do Conselho Internacional do Transporte Limpo (ICCT, na sigla em inglês) mostra que o País está atrás apenas de Chile e Colômbia no ranking de frota de ônibus elétricos, e isso foi puxado principalmente pela cidade de São Paulo. Neste domingo, 21, a prefeitura deve receber mais 500 veículos para a frota da capital, de fabricantes como Elektra e Volkswagen Caminhões e Ônibus, totalizando 1,7 mil ônibus elétricos em operação no município.PUBLICIDADEA expansão da frota de ônibus elétricos conta com investimentos de várias fontes de financiamento. No ano passado, a prefeitura conseguiu uma linha de crédito de US$ 100 milhões com o Banco da China, R$ 1,4 bilhão (US$ 248,3 milhões) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e mais R$ 2,5 bilhões do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As entregas de veículos deste domingo fazem parte da linha do BNDES. A meta da prefeitura paulistana é ter 2,2 mil ônibus eletrificados rodando até 2028.O ICCT estima que o segmento de ônibus elétricos deve apresentar crescimento expressivo no País. Em um cenário conservador, o estudo mostra que a participação destes veículos no total da frota começa com 5% ou 10% em 2030 e se estabiliza entre 25% e 41% em 2050. Já em uma projeção moderada, a eletrificação atinge 21% das vendas em 2030, subindo para 62% em 2040 e alcançando 92% em 2050. Em um cenário ambicioso, o estudo propõe uma adoção massiva imediata, com as vendas de ônibus elétricos já em 55% em 2030 e atingindo o teto de 92% a partir de 2040.Segundo Jefferson Hishiyama da Silva, do ICCT, autor do estudo, o aumento da frota de ônibus eletrificados está mais centrado no transporte urbano, impulsionado por políticas públicas locais, linhas de financiamento para a renovação da frota e maior oferta de veículos elétricos produzidos no País.“Além de São Paulo, já observamos um avanço em outras cidades do País, como Belém, Brasília e Goiânia. Até 2025, a frota circulante no Brasil era de 1,7 mil veículos, com São Paulo sendo responsável por mais de 80% desse volume”, disse Silva. “A capital paulista está com uma política muito agressiva na eletrificação, com financiamento garantido, incentivos fiscais e isso tem ajudado o Brasil a aumentar a frota eletrificada.”PublicidadeFalta infraestruturaO pesquisador pondera, no entanto, que o custo de aquisição dos veículos e a infraestrutura da rede elétrica para a instalação de bases de carregamento dos ônibus ainda são barreiras que precisam ser equacionadas, principalmente em cidades brasileiras médias e menores. “Esses municípios precisam de soluções diferenciadas e, para isso, é necessário trazer o setor elétrico para essa discussão e planejamento. Ainda estamos navegando nesse assunto”, ressaltou.A falta de infraestrutura elétrica foi uma das reclamações dos operadores e da prefeitura de São Paulo. O plano do governo municipal era, em 2024, ter 2,6 mil ônibus elétricos rodando pela capital. Essa meta foi readequada para 2,2 mil veículos em 2028.O diretor de vendas de ônibus da Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), Jorge Carrer, disse que a frota de ônibus elétricos na cidade de São Paulo vem crescendo de forma considerável, mas ainda está aquém do objetivo da prefeitura. A montadora é uma das fornecedoras do programa paulistano.Segundo ele, no início do programa, as próprias garagens não estavam preparadas para receber uma frota eletrificada, pois não tinham infraestrutura elétrica para instalar os carregadores. “Agora, está pegando tração, mas a cidade ainda não conseguiu renovar a frota como planejava.”Carrer ressalta que houve uma reformulação no programa e agora, para a encomenda dos veículos, os concessionários do transporte público têm de comprovar tecnicamente que conseguem operar uma frota eletrificada, que têm toda a infraestrutura elétrica necessária já instalada. “Houve entendimento melhor entre a prefeitura, operadores e a Enel para a instalação da infraestrutura necessária. As vendas que estão acontecendo agora mostram que o gargalo da infraestrutura parece ter sido equacionado.”PublicidadeEm nota a Enel, distribuidora de energia elétrica responsável pela cidade de São Paulo, disse que tem atendido a toda a demanda de infraestrutura elétrica planejada e demandada pelos operadores de ônibus da capital paulista.PUBLICIDADESegundo a empresa, de 2024 até maio deste ano, a distribuidora entregou 92,72 MW de energia a 35 garagens de ônibus, o suficiente para abastecer pelo menos 2 mil ônibus. “Nos últimos 12 meses, a utilização máxima das garagens em relação à potência total instalada não chegou a 50%, sendo que em maio foi de apenas 39%.”Caminhões não seguem na mesma toadaOlhando para outro segmento, o relatório do ICCT aponta que a eletrificação de caminhões no Brasil ainda caminha em ritmo moderado devido a entraves econômicos e de infraestrutura. No segmento de caminhões leves e médios, foram vendidas 366 unidades elétricas em 2025, com leve redução na participação de mercado (para 1,7%), causada pela retomada gradual do Imposto de Importação, tendo Volkswagen, JAC e Foton como líderes.Já no setor de caminhões pesados, as barreiras são ainda maiores por conta dos altos custos iniciais e da falta de carregadores rápidos nas rodovias: foram comercializados apenas 53 caminhões elétricos pesados em 2025 (mesmo patamar de 2024), representando escassos 0,06% das vendas totais do segmento, com dominância da fabricante XCMG.Thiago Pastorelli Rodrigues, um dos autores do estudo do ICCT, disse que o mercado ainda está incipiente, principalmente no Brasil. Até 2022, as vendas de caminhões de até 15 toneladas foram impulsionadas nas empresas, principalmente pelas estratégias de ESG. “Nos anos seguintes ocorreu uma queda nos negócios. O custo de aquisição do veículo elétrico é duas vezes o de combustão”, disse. “O preço e a falta de infraestrutura pública para carregamento ainda são um entrave para o crescimento desse mercado.”PublicidadeEsta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 19/06/2026, às 14:50A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.