Quando o presidente Donald Trump criou uma força-tarefa da Casa Branca para coordenar a logística de segurança para a Copa do Mundo 2026, ainda em janeiro de 2025, deixou claro que pretendia assistir a várias partidas do torneio. — Gostaria de ir, certamente, a mais de uma — disse. — Vamos circular pelos estádios; é um evento que dura um mês e é de primeira linha. É um dos grandes acontecimentos do mundo. No entanto, onze dias após o início do maior evento esportivo do planeta, o presidente americano ainda não fez sua estreia como espectador do Mundial Para alguns, isso causa surpresa, especialmente porque Trump manteve réplicas dos troféus da Copa do Mundo e da Copa do Mundo de Clubes da Fifa em seu gabinete durante boa parte do último ano. Trump ocupava seu primeiro mandato, em 2018, quando a candidatura conjunta de Estados Unidos, Canadá e México conquistou o direito de sediar a Copa de 2026. Desde que voltou ao poder, em janeiro do ano passado, permitiu que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, visitasse o Salão Oval mais vezes, mais do que qualquer outro líder político mundial. Duas das maiores estrelas do torneio também estiveram na Casa Branca no último ano: Lionel Messi, acompanhado do Inter Miami após a conquista da MLS Cup, em março; e Cristiano Ronaldo, durante um jantar que também contou com a presença do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. O presidente ainda participou, em dezembro, do sorteio da fase de grupos da Copa, realizado no Kennedy Center, em Washington, onde também recebeu o primeiro Prêmio da Paz criado pela Fifa. Além disso, a entidade máxima do futebol mundial também paga aluguel ao grupo empresarial da família Trump, ocupando escritórios na Trump Tower, em Nova York. Durante a Copa do Mundo de Clubes — um torneio muito menos consolidado e prestigiado do que a Copa do Mundo —, o governo Trump fez questão de marcar presença. Ivanka Trump e seu filho Theodore participaram do sorteio dos grupos, em Miami, realizando os primeiros sorteios cerimoniais, enquanto Trump apareceu por vídeo com uma mensagem aos participantes. A Casa Branca também convidou o proprietário da Juventus, dirigentes e jogadores da equipe, incluindo os americanos Weston McKennie e Tim Weah, para uma entrevista coletiva improvisada no Salão Oval na tarde de uma partida da competição. Na final do torneio, Trump entrou no gramado para entregar o troféu e permaneceu comemorando ao lado do capitão do Chelsea, Reece James, quando o inglês levantou a taça. Na Copa do Mundo, porém, o cenário tem sido diferente. Historicamente, é incomum que o chefe de Estado do país-sede deixe de comparecer ao jogo de estreia de sua seleção em uma Copa do Mundo masculina. Ainda assim, Trump não esteve presente na vitória dos Estados Unidos por 4 a 1 sobre o Paraguai, no SoFi Stadium, em Los Angeles, em 12 de junho. Naquela semana, porém, ele telefonou para o técnico da seleção americana, Mauricio Pochettino, e para o capitão Tim Ream. "Acho que vocês têm uma excelente chance de chegar até o fim", disse à equipe. Nenhuma explicação oficial foi dada para sua ausência na partida contra o Paraguai. Naquele domingo, 14 de junho, a Casa Branca promovia um evento do UFC em comemoração aos 250 anos dos Estados Unidos. Pessoas familiarizadas com a agenda presidencial disseram ao The Athletic, do New York Times, que Trump participou dos ensaios para o evento nos dias anteriores, o que pode ter dificultado uma viagem de costa a costa. Carney e Sheinbaum também de fora Trump também não foi o único líder político a romper essa tradição. Os chefes de governo dos outros dois países-sede, Canadá e México, também não compareceram às estreias de suas seleções. O primeiro-ministro canadense Mark Carney perdeu o empate por 1 a 1 entre Canadá e Bósnia e Herzegovina, em Toronto, porque cumpria compromissos oficiais na França. Já na segunda partida da equipe, a vitória por 6 a 0 sobre o Catar, em Vancouver, Carney compareceu ao estádio e depois entrou no vestiário para parabenizar os jogadores pela atuação. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, havia deixado claro meses antes que não iria assistir a nenhum jogo da Copa. Ela preferiu doar o ingresso da abertura, recebido da Fifa, à jovem indígena Yolett Cervantes Cuaquehua, vencedora de um concurso promovido pelo governo mexicano. "Como presidente, é melhor que eu ceda meu lugar para alguém que não teria condições de estar lá", afirmou Sheinbaum em entrevista coletiva. A ausência de Trump, porém, é ainda mais notável porque, durante seu segundo mandato, ele raramente deixou de comparecer a grandes eventos esportivos em solo americano. Ele esteve presente no Super Bowl, em Nova Orleans; em eventos do UFC em Miami, Nova Jersey e, naturalmente, no gramado da Casa Branca; na corrida Daytona 500, na Flórida; no Campeonato Universitário de Luta Livre da NCAA, na Filadélfia; na final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, no MetLife Stadium, em Nova Jersey; na Ryder Cup de golfe, disputada em Bethpage Black, no estado de Nova York; e tanto na final masculina do US Open de tênis quanto no Jogo 3 das Finais da NBA, no Madison Square Garden, em Nova York. Naturalmente, a Presidência dos Estados Unidos é um cargo bastante exigente. Na semana passada, Trump também esteve na França para participar da cúpula do G7, onde recebeu do chanceler alemão, Friedrich Merz, uma camisa da seleção da Alemanha com seu nome e o número 47. Novo Air Force One: conheça por dentro o superavião que Trump recebeu de presente do Catar 1 de 7 Suíte principal do Boeing 747-8 presenteado pelo Catar conta com cama king-size e decoração de alto padrão, projetada originalmente para acomodar membros da família real — Foto: Reprodução 2 de 7 Banheiro da aeronave exibe acabamento sofisticado e amplo espaço interno, um dos diferenciais do jato de luxo que poderá se tornar o novo Air Force One — Foto: Reprodução X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 Chuveiro com metais dourados integra uma das áreas privativas do avião, concebido para oferecer conforto em viagens de longa distância — Foto: Reprodução 4 de 7 Sofás e mesa de centro compõem uma das salas de convivência do jato, pensada para reuniões e momentos de descanso durante o voo — Foto: Reprodução X de 7 Publicidade 5 de 7 Lounge principal reúne poltronas de couro, mesas e iluminação indireta em um ambiente semelhante ao de um hotel de luxo — Foto: Reprodução 6 de 7 Escadaria liga os dois andares da aeronave, que possui espaços exclusivos para áreas sociais, acomodações e serviços de bordo — Foto: Reprodução X de 7 Publicidade 7 de 7 Vista de uma das suítes executivas do avião mostra integração entre quarto, banheiro revestido em mármore e sala de reuniões privativa, reforçando o padrão de luxo do Boeing 747-8 — Foto: Reprodução Novo Air Force One: conheça por dentro o superavião que Trump recebeu de presente do Catar Enquanto os Estados Unidos venciam a Austrália por 2 a 0 em Seattle, resultado que garantiu a classificação da equipe às oitavas de final, Trump participou da apresentação de um novo Boeing 747 doado pelo governo do Catar, que em breve passará a servir como o novo Air Force One, em uma base militar próxima a Washington. Na ausência de Trump, autoridades de alto escalão compareceram aos jogos, entre elas o secretário de Estado, Marco Rubio; o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin; o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy; e o secretário de Transportes, Sean Duffy. Possíveis candidatos democratas à eleição presidencial de 2028 também marcaram presença. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, assistiu à estreia dos Estados Unidos em Los Angeles. Já o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, deve comparecer ao seu segundo jogo da Copa do Mundo, na Filadélfia, nesta segunda-feira, quando França e Iraque se enfrentam. Trump em silêncio À medida que a seleção americana passou a dominar as conversas nas redes sociais, o governo Trump também entrou na discussão. Em 12 de junho, a Casa Branca publicou uma mensagem no X dizendo: "USA! USA! USA!". Em seguida, publicou outra apenas com a palavra "SOCCER!!!" ("FUTEBOL!!!"), além de compartilhar vídeos de torcedores cantando "Take Me Home, Country Roads". Após a vitória por 2 a 0 sobre a Austrália, o Departamento de Segurança Interna publicou no X uma foto da equipe titular dos Estados Unidos diante do que parecia ser um portão de aço, com a legenda "CONSTRUÍMOS O MURO". A publicação, porém, havia sido apagada na noite de sábado. Questionado pelo The Athletic sobre o motivo, o departamento não deu explicações. A Federação de Futebol dos Estados Unidos (US Soccer) preferiu não comentar. Trump parabenizou a seleção nas redes sociais após a vitória na estreia contra o Paraguai, mas, até a noite de domingo, ainda não havia feito qualquer comentário no Truth Social sobre o triunfo diante da Austrália. Nesse período, publicou mensagens sobre o Dia dos Pais, anunciou a iminente renúncia do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, realizou enquetes perguntando se os agentes do ICE deveriam passar a ser chamados de "ICE" ou "NICE" e se os democratas deveriam ser chamados de "Dumocrats" ou "Dumbocrats", além de compartilhar diversos vídeos sobre o evento do UFC realizado na Casa Branca e uma mensagem sobre o circuito de golfe PGA Tour. Talvez Trump esteja apenas reservando sua grande aparição para o principal evento da Copa do Mundo: a final, que será disputada no MetLife Stadium, em 19 de julho. Mas, sendo um presidente que certamente reconhece o poder da audiência televisiva e da atenção do público, ele provavelmente percebe que os olhos do país estão voltados para a seleção masculina dos Estados Unidos, que começou a competição de forma perfeita. "Conversei com ele um ou dois dias depois da vitória dos Estados Unidos sobre o Paraguai", contou ao The Athletic na sexta-feira Andrew Giuliani, diretor da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo. "Ele está empolgado. Entende que esta é uma equipe muito boa e que tem uma oportunidade realmente especial." "À medida que o torneio avança e esta seleção americana continua jogando da forma como está jogando, acredito que veremos cada vez mais integrantes do governo presentes. Haverá uma representação de altíssimo nível em Los Angeles, na quinta-feira." Quão alto é esse "altíssimo nível"? "Veremos", respondeu Giuliani. "Sempre gosto de dizer que não existe ninguém, absolutamente ninguém, que goste mais de criar suspense do que o 45º e 47º presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump", afirmou Giuliani. "Por isso, tudo o que digo às pessoas é: fiquem atentos aos próximos capítulos das aventuras de Trump na Copa do Mundo. Evidentemente, ele terá muitos compromissos diferentes no dia 4 de julho. Muita coisa estará acontecendo".
Os EUA estão surpreendendo na Copa do Mundo. Por que Trump não está acompanhando de perto?
Do Super Bowl ao UFC, do US Open às Finais da NBA, Trump raramente deixou de comparecer a grandes eventos esportivos nos EUA. Na Copa do Mundo, porém, seu comportamento tem sido diferente












