Banda levou sua turnê de despedida, 'Celebrating Life Through Death', ao Rock in Rio Lisboa e, em setembro, fará apresentação na versão carioca do festival antes do show derradeiro, em 7 de novembro, em São Paulo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O vocalista Derrick Green e o guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura, no Rock in Rio Lisboa — Foto: Silvio Essinger “Obrigado, Rock in Rio” — a frase estampada no telão do Sepultura, na noite de domingo, ao fim do show na edição de Lisboa do festival, trazia uma notícia triste: aquele foi o último show em Portugal da maior banda brasileira de rock de todos os tempos, e uma das mais importantes da história do heavy metal. Com sucessos como “Territories”, “Refuse/resist”, “Arise” e “Roots bloody roots”, tocados com vitalidade a agressividade, o grupo cumpriu sua passagem pelo país com “Celebrating Life Through Death” (“celebrando a vida através da morte”, em tradução livre), a turnê de despedida, após mais de 40 anos de carreira. O derradeiro show do Sepultura está marcado para o dia 7 de novembro, em São Paulo, na Mercado Livre Arena Pacaembu. Depois, não tem choro, nem vela. — Não adianta agora a gente falar, “ah, tá legal, eu vou continuar”, porque a gente estaria se enganando também — admitiu o guitarrista Andreas Kisser, nos bastidores do show do Rock in Rio Lisboa. — Planejamos durante muito tempo fazer essa despedida pra gente curtir, pra gente celebrar. Foram dois anos de preparo, antes do anúncio, de falar com todo mundo, para ter certeza de que esse era o caminho mesmo. E assim foi feito. Acho que tá sendo muito melhor do que eu imaginava. O clima entre o grupo era dos melhores. — É talvez a nossa melhor turnê, por lugares em que a gente nunca foi antes. Muito feliz de estar aqui em Portugal, no Rock in Rio, para fazer essa despedida com os fãs portugueses — diz Andreas, que tem ido com o Sepultura a Portugal desde o começo dos anos 1990. — A gente sempre foi muito bem recebido aqui, independentemente da formação, foram várias mudanças, mas a gente teve momentos muito especiais. No dia anterior, o Sepultura tinha tocado na Bélgica. Eles seguem em turnê até o dia 9 de agosto, quando fazem seu último show na Europa, em Dublin (Irlanda): — Agora a gente está fazendo todos esses festivais de verão, dividindo o palco com grandes bandas, e é interessante notar que muita gente está vindo ver o Sepultura pela primeira vez. E não pela idade, é gente que, por um motivo ou outro, acompanha a carreira da banda, mas nunca teve oportunidade de ver ao vivo. No dia 5 de setembro, o Sepultura volta ao Brasil, para o palco Mundo do Rock in Rio (na noite pesada, com Avenged Sevenfold e Bring Me The Horizon) com a proposta de apresentar um show especial só com as músicas da era Derrick Green, vocalista americano, que entrou para a banda após a saída do fundador Max Cavalera, e que estreou em 1998, com o disco “Against”. — O Rock in Rio sempre deu oportunidades ao Sepultura fazer shows exclusivos e importantes, como os com o Zé Ramalho e com o Tambours du Bronx. E agora, nessa despedida, a gente vai fazer esse da era Derrick — conta o guitarrista. — Era uma coisa que muito fã pedia, mas a gente nunca teve a oportunidade de fazer. Veio o momento certo, antes do último show, em São Paulo. Vai ser interessante o Rock in Rio ter com junto com Sepultura, celebrando essa fase da banda que é muito importante. Não estaríamos aqui se não fosse ela. Andreas Kisser, hoje com 57 anos, diz não esquecer dos shows de Ozzy Osbourne e do Iron Maiden que viu no primeiro Rock in Rio, em 1985: — Aquilo realmente foi uma virada de página, que estimulou a nossa geração a pegar instrumentos, e nós, a fazer a nossa própria banda. Nos shows de “Celebrating Life Through Death”, o Sepultura tem tocado músicas de um novo EP, “The Cloud of Unknowing” (2026), primeiro registro fonográfico da banda com o americano Greyson Nekrutman, baterista de jazz recrutado em 2024, a dias do começo da turnê de despedida, diante da saída inesperada de Eloy Casagrande (que foi para o grupo americano Slipknot, gigante do metal). — Estamos celebrando o momento atual da banda e não só nos espelhando no passado. O Grayson trouxe as ideias dele, trouxe a vibe dele pra banda e foi muito importante a gente ter feito isso — diz Andreas, já cheio de projetos para depois do fim do Sepultura. —Tenho o (grupo) De La Tierra, o Kisser Clan (banda com o filho, Yohan Kisser), o meu programa de rádio em São Paulo e o meu projeto social, o Movimento Mãetricia (em homenagem à mulher, Patricia, falecida em 2022, de câncer), que estimula a discussão sobre o assunto morte e que está lutando pelo direito de legalização da morte assistida no Brasil. Sobre quem fica com o legado do Sepultura, eles ou os ex-integrantes e fundadores do grupo, os irmãos Igor e Max Cavalera (que hoje releem o repertório inicial do quarteto com o projeto Cavalera Conspiracy), Andreas Kisser tem a resposta pronta para os jornalistas: — Não perco meu tempo fazendo esse tipo de análise. Deixo para vocês fazerem isso.
Sepultura faz último show em Lisboa e promete apresentação especial no Rock in Rio, em setembro
Banda levou sua turnê de despedida, 'Celebrating Life Through Death', ao Rock in Rio Lisboa e, em setembro, fará apresentação na versão carioca do festival antes do show derradeiro, em 7 de novembro, em São Paulo
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