Embora seja visto como melhor do que o seu antecessor, a maioria dos portugueses considera que António José Seguro deve ser mais exigente perante o Governo, os partidos da oposição e o Chega. A conclusão resulta de uma sondagem da Intercampus para o Jornal de Negócios, Correio da Manhã, CMTV e NOW realizada entre 10 e 16 de Junho, quando o Presidente da República cumpria cerca de três meses e meio em funções.Questionados sobre o papel que o chefe de Estado deve assumir na relação com o executivo, 56,7% dos inquiridos responderam que Seguro deve ser mais exigente e fiscalizador. Apenas 32,2% defendem uma postura mais cooperante, centrada em ajudar o Governo a tomar as decisões certas.A preferência por uma actuação mais exigente repete-se na relação com os partidos da oposição. Segundo o estudo, 51,6% dos inquiridos consideram que o Presidente deve exercer maior escrutínio, enquanto 34,6% preferem que assuma um papel de apoio.Na relação com o Chega, a diferença é ainda maior: mais de metade dos inquiridos (53,7%) entende que Seguro deve ser mais exigente com o partido, ao passo que 24,8% consideram que deveria ajudá-lo a aperfeiçoar as suas propostas.O trabalho de campo decorreu depois da divulgação do relatório da Presidência Aberta realizada no início de Abril às zonas afectadas pelo comboio de tempestades, sobretudo na região Centro, e também após o discurso das comemorações do 10 de Junho, no qual o Presidente apelou à “coragem” para enfrentar escolhas difíceis.A sondagem procurou igualmente medir a percepção dos portugueses sobre os primeiros meses de António José Seguro em Belém. Mais de 45% dos inquiridos consideram que o Presidente está a corresponder às expectativas que tinham quando foi eleito. Quase três em cada dez avaliam o seu desempenho como melhor do que o esperado, enquanto 15% entendem que tem sido pior e outros 11% dizem não saber ou preferem não responder.Na comparação com Marcelo Rebelo de Sousa, que ocupou o cargo durante dez anos, a resposta mais frequente é a de que não existem diferenças significativas entre os dois Presidentes (quase 40% dos inquiridos fazem essa avaliação). Ainda assim, 28,9% consideram Seguro melhor do que o antecessor, enquanto 16,3% têm opinião contrária.De acordo com a análise da Intercampus, tanto na avaliação do desempenho presidencial como na comparação com Marcelo Rebelo de Sousa, as opiniões favoráveis surgem com uma expressão cerca de duas vezes superior às desfavoráveis.A sondagem da Intercampus baseou-se em 609 entrevistas telefónicas realizadas junto de cidadãos recenseados em Portugal Continental com 18 ou mais anos. O estudo apresenta uma margem de erro máxima de 4%, para um intervalo de confiança de 95%, e registou uma taxa de resposta de 55,3%.A divulgação deste barómetro dias depois de outra sondagem da Intercampus, publicada pelos mesmos órgãos de comunicação social, ter colocado o PS na liderança das intenções de voto. Nesse estudo, realizado também entre 10 e 16 de Junho, os socialistas apareciam com 24,3%, seguidos do Chega, com 20,3%, e da AD, com 19,5%. Os resultados assinalaram uma subida de 0,7 pontos percentuais do PS face ao mês anterior e um crescimento de um ponto do Chega, enquanto a coligação PSD/CDS registava a maior quebra, descendo de 22,9% para 19,5%, para o terceiro lugar.
Seguro visto como melhor que Marcelo, mas maioria pede mais exigência ao Governo e oposição
Apesar de ser avaliado como “melhor” do que Marcelo, a maioria dos inquiridos considera que Seguro deveria ir mais longe e assumir uma postura mais exigente perante o Governo e os partidos.
António José Seguro, novo Presidente português visto como melhor que Marcelo, mas 56,7% dos eleitores pedem maior rigor na fiscalização do Governo. A demanda por accountability e governance mais robustos sinaliza desconfiança crescente nas instituições executivas.






