Experimentos indicam que células do sistema imunológico podem funcionar como sensores do campo magnético da Terra 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pombos-correio: 45 mil aves voam de Espanha a Portugal em maior competição do ramo na Europa — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/06/2026 - 10:44 Descoberta: Células do fígado ajudam pombos-correio a se orientar Cientistas descobriram que os pombos-correio podem usar células do fígado, ricas em ferro e parte do sistema imunológico, como sensores do campo magnético terrestre para navegação. Testes revelaram que essas células auxiliam na orientação em condições de baixa visibilidade. Contudo, a descoberta gera debate sobre sua importância frente a outros métodos de navegação já conhecidos, como o uso do ouvido interno. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A capacidade dos pombos-correio de retornar ao ninho mesmo depois de serem soltos a centenas de quilômetros de distância continua intrigando a ciência. Agora, um estudo publicado na revista Science levanta uma hipótese inusitada: parte desse sofisticado sistema de orientação pode estar ligada ao fígado, e não apenas ao cérebro ou aos órgãos sensoriais tradicionalmente associados à navegação. Pesquisadores identificaram no órgão células do sistema imunológico carregadas de ferro, conhecidas como macrófagos, que poderiam atuar como sensores do campo magnético terrestre. A proposta é que essas estruturas ajudem as aves a perceber mudanças magnéticas do ambiente e utilizem essa informação para se localizar, especialmente quando referências visuais não estão disponíveis. Calor animal: leão, onça, urso e elefanta recebem picolés para se refrescarem no BioParque do Rio 1 de 8 Leão Simba se delicia com o picolé de sangue servido no BioParque do Rio — Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo 2 de 8 Macacos-aranhas, bugios e cuxiús receberam picolés de frutas. Cuidadores entraram nos recintos e entregaram as iguarias nas mãos dos bichinhos — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Onça-pintada melânica Poty aproveitou seu picolé de sangue — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo 4 de 8 Com60 anos, elefanta Koala quebra picolé de frutas com a pata para, então, comê-lo — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo X de 8 Publicidade 5 de 8 Para os primatas, picolé no calor; em época de frio, até chá morno faz parte do cardápio — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo 6 de 8 Leão Simba foi o primeiro contemplado do dia — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo X de 8 Publicidade 7 de 8 Depois do picolé, banho de mangueira para refrescar a elefanta Koala — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo 8 de 8 Último dia do inverno foi de sol escaldante — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo X de 8 Publicidade Sabores variam e podem ser de sangue ou de frutas Segundo os autores, o mecanismo seria mais importante em situações de baixa visibilidade, como dias de neblina intensa ou céu encoberto. Nesses cenários, quando o Sol e elementos da paisagem deixam de servir como guia, os macrófagos ricos em ferro poderiam funcionar como uma espécie de sistema de navegação auxiliar. Para testar a teoria, a equipe realizou experimentos com 34 pombos. Em 18 deles, foi aplicado um tratamento destinado a reduzir a quantidade dessas células, enquanto os demais permaneceram inalterados. Sob condições de nevoeiro, as aves que passaram pela intervenção apresentaram maior dificuldade para retornar ao pombal, enquanto o grupo de controle conseguiu completar um percurso de cerca de 19 quilômetros em aproximadamente 70 minutos. Quando os testes foram repetidos em dias de céu limpo, porém, a diferença praticamente desapareceu: até mesmo os animais submetidos ao tratamento conseguiram encontrar o caminho de volta. O resultado reforça a hipótese de que a percepção magnética não substitui a navegação visual, mas pode servir como um recurso adicional quando outros pontos de referência deixam de existir. Apesar do entusiasmo com a descoberta, a interpretação dos resultados ainda divide especialistas. Alguns pesquisadores argumentam que os efeitos observados podem estar relacionados a alterações na cognição, na motivação ou até na capacidade visual das aves, e defendem que estruturas como o ouvido interno continuam sendo as candidatas mais prováveis para explicar a percepção do campo magnético. Os próprios autores reconhecem que ainda há perguntas sem resposta, como a forma pela qual um eventual sinal produzido no fígado chegaria ao cérebro. Ainda assim, consideram que a pesquisa abre uma nova frente para investigar um dos fenômenos mais impressionantes do reino animal: a habilidade dos pombos-correio de localizar o caminho de casa com uma precisão que desafia cientistas há décadas.
Como os pombos-correio encontram o caminho de casa? Cientistas investigam papel inesperado do fígado; entenda
Experimentos indicam que células do sistema imunológico podem funcionar como sensores do campo magnético da Terra






