Em agosto de 2023, cidadãs e cidadãos do Equador decidiram manter sob a terra o petróleo bruto do bloco 43-ITT (Ishpingo-Tambococha-Tiputini), localizado no Parque Nacional Yasuní, na amazônia. Com 58,95% dos votos, aprovaram o encerramento das atividades exploratórias em uma área que abriga milhares de espécies de plantas e animais, é território de povos indígenas, incluindo grupos isolados, e concentra algumas das maiores reservas petrolíferas do país.

Em um momento em que governos disputam acesso a petróleo, gás e minérios, um país produtor decidiu restringir a exploração de uma de suas reservas mais importantes em uma disputa política marcada pela influência da ideia de bem-viver.

Em tese de doutorado defendida na FAU-USP em 2024, a pesquisadora Janaína Marx Pinheiro reconstrói a trajetória do "sumak kawsay", expressão quéchua para bem-viver. Seu trabalho mostra que o conceito foi formulado nas organizações indígenas que, a partir das décadas de 1980 e 1990, ampliaram sua influência sobre a política equatoriana.

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A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo