Aos 15 anos, Jean William disse na primeira aula de canto que sabia imitar Luciano Pavarotti. A professora duvidou. O adolescente então começou a cantar o comercial do sorvete Cornetto.

"A imitação está horrível", ouviu dela. Já a voz era outra história. A professora disse que ele tinha talento para o canto.

Décadas mais tarde, o menino criado por um boia-fria e uma faxineira acabaria escolhido para cantar para o papa, ser solista em Nova York e, agora, interpretar o compositor erudito Carlos Gomes no cinema.

A história começou no interior paulista, em Sertãozinho, onde Jean William estudava numa escola estadual e cantava rock numa banda adolescente. Pouco antes da aula de canto, ele havia vencido um concurso escolar interpretando "Is This Love", do Whitesnake. Foi essa vitória que lhe granjeou uma bolsa num conservatório da pequena cidade.

Até então, ópera era apenas uma referência distante, ligada às propagandas de sorvete e à figura de Pavarotti. O próprio Jean lembra que chegou à aula dizendo que gostava de rock. A professora respondeu que não entendia nada de rock, apenas de canto lírico. Foi então que ele resolveu atacar de Cornetto.