No fim dos anos 1990, John Baker, um famoso negociante de vinhos raros e de adegas multimilionárias, recebeu um fax de um empresário na Geórgia. Era uma extensa lista de rótulos, muitos deles com mais de 100 anos, com um punhado de propriedades famosas de Bordeaux e Borgonha. Com o inventário, vinha uma pergunta: interessado?
Logo descobriu que a lista seria da coleção de vinhos de Nicolau II, o último czar da Rússia. Os vinhos tinham se tornado propriedade do Estado após a Revolução Russa de 1917, durante a qual Nicolau e toda a sua família foram executados. Passada para a posse de Stalin, a coleção teria sido discretamente transferida para uma vinícola remota na Geórgia quando Stalin temeu que o avanço do exército nazista pudesse invadir a Rússia e, inevitavelmente, saquear artefatos e tesouros. Em 1941, com as tropas nazistas sobre a Crimeia, a coleção teria sido evacuada para a terra natal de Stalin.
Baker e o sócio cruzaram o mundo com uma oferta de dinheiro à vista pela coleção. Encontraram fileiras de vinhos molhados, sem etiqueta, guardados por uma funcionária herdada da burocracia soviética — a “senhora com as chaves”, que abria a adega quando lhe convinha. Baker sabia que, para as garrafas irem a leilão, precisaria comprovar que o vinho era genuíno e que tinha sido de quem se dizia. São perguntas sem resposta ainda, mas fez a proposta de um cheque de um milhão de dólares. O negócio não avançou por uma série de problemas, de burocracia a um punhado de intermediários, mas rendeu um livro escrito por ele – Stalin’s Wine Cellar (sem edição em português).







