Represas do manancial estão abaixo de 40% do volume útil e passarão a ser geridas separadamente; precipitação na área ficou em 62% da média histórica neste ano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Represa do rio Jaguari-Jacareí, que integra o Cantareira: após sistema iniciar estação seca com o menor volume em dez anos, governo muda regra para restrição de consumo de água — Foto: Luis Moura/WPP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 20:43 SP Anuncia Nova Gestão do Sistema Cantareira para Evitar Crise Hídrica O governo de SP anunciou mudanças na gestão do Sistema Cantareira, que está com menos de 40% da capacidade, para evitar desabastecimento. As represas serão geridas separadamente. O fenômeno El Niño pode agravar a seca, e a Sabesp aumentou a captação de água. A decisão visa responder à pressão meteorológica, mas foi recebida com ceticismo por especialistas, que pedem mais detalhes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Diante da possibilidade de um El Niño mais intenso este ano ampliar as chances de uma seca severa, o governo de São Paulo anunciou ontem que vai mudar os critérios de cálculo para gerir os mananciais de água que abastecem a capital paulista. As represas do Sistema Cantareira, que estão agora com menos de 40% da capacidade, serão consideradas separadamente e terão mais peso na decisão sobre medidas de restrição. O anúncio acontece num momento em que o abastecimento hídrico da cidade enfrenta situação preocupante. O Cantareira — principal sistema de mananciais da Grande São Paulo — iniciou a estação seca de 2026 com o menor volume dos últimos dez anos. Uma preocupação adicional neste ano é que está prevista a chegada com força do fenômeno El Niño, o superaquecimento das águas tropicais do Pacífico, que agrava eventos extremos de chuva no Sudeste da América do Sul. A alteração nem sempre é negativa em termos de volume de água, mas a instabilidade é ruim para o sistema, e as chuvas às vezes não ocorrem nos locais onde são mais necessárias. Centros de pesquisa globais, incluindo a NOAA (EUA) e o Copernicus (União Europeia) já dão como certo que o fenômeno se iniciou e sinalizam uma probabilidade entre 70% e 80% de um El Niño entre forte e extra-forte, que pode significar um desafio a mais para o abastecimento de água em São Paulo. O nível de pico do Cantareira neste ano foi o pior desde 2014, quando a cidade entrava na pior crise hídrica de sua história. Já em nível descendente após atingir 43,9% de volume útil em maio, o sistema entra em um estágio preocupante no inverno, estação seca da região, que começa amanhã. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), porém, aumentou a captação de água nos últimos três anos. Quando o Cantareira operava com volume semelhante ao atual (44%), em 2022, a empresa retirava 21,4 m³/s do sistema. Em abril de 2026, com o reservatório ainda mais baixo (42,5%), a média de captação saltou para 25,6 m³/s, alta de cerca de 20%. O Sistema Integrado Municipal de Represas, que inclui também as represas de Guarapiranga e da região do Alto Tietê, está em melhor situação, mas a média total de preenchimento dos reservatórios está em 50,8%. Segundo a diretora presidente da Agência de Águas do Estado de São Paulo, Camila Viana, a decisão de separar a gestão do Cantareira se dá porque o sistema tem sofrido mais pressão meteorológica do que o de Guarapiranga e outros mananciais. Neste ano, as chuvas foram apenas de 62% da média hidrológica na área. Escassez crônica Segundo a secretária de Meio Ambiente e Infraestrutura do estado, Natália Resende, a mudança nos critérios de gestão foi decidida por um comitê reunindo vários entes do setor após um período de consulta pública. Apesar do nível relativamente baixo dos reservatórios até agora, a secretária afirma que os critérios anteriores foram capazes de gerir com sucesso os mananciais de São Paulo e que a situação de escassez é “crônica” na região. Um outro ajuste que será feito na metodologia é a consideração da média da série hidrológica dos últimos 15 anos, para capturar uma realidade de secas periódicas já num período mais impactado pelas mudanças climáticas associada a El Niños e La Niñas. O governo não anunciou, ainda, uma mudança na faixa de restrição com que o sistema opera agora. Pelos critérios atuais, a Sabesp opera a rede de distribuição de água com pressão reduzida durante 10 horas por dia. Pelas novas regras, a intensidade desta medida e o volume de captação outorgado para a empresa nas represas podem mudar a cada fim de mês, depois da reunião de um comitê técnico. O anúncio pode ser antecipado caso haja “eventos que fujam da normalidade”, diz Resende. A despressurização com a chamada gestão de demanda noturna (GDN) da rede afeta mais os bairros da cidade que ficam em regiões mais altas e mais distantes do centro, sobretudo em imóveis sem caixa d'água. O governo diz que a Sabesp está buscando mitigar o problema com um programa de instalação de caixas d'água para as populações que necessitam mais. — A GDN é uma medida eficiente, e nós tivemos 157 bilhões de litros de economia de água por conta dela desde que a gente começou a fazer isso em 13 de agosto do ano passado, começando com implementação 8 horas por dia — diz Resende. O anúncio do governo foi recebido com ceticismo pelo Instituto Água e Saneamento (IAS), que se dedica a acompanhar as políticas públicas na gestão hídrica em São Paulo. — O que fica claro é que essa mudança não traz nada de novo enquanto ação ou efeito — afirma o coordenador de conhecimento e difusão da entidade, Eduardo Caetano. — O anúncio careceu de mais detalhes. Parece que é só uma outra fórmula de cálculo para continuar aplicando o mesmo resultado: gestão da demanda noturna, uma medida que tem impacto desigual na população e que acaba comprometendo o serviço.
Nível do Cantareira sob risco: entenda mudança anunciada pelo governo de SP para evitar desabastecimento
Represas do manancial estão abaixo de 40% do volume útil e passarão a ser geridas separadamente; precipitação na área ficou em 62% da média histórica neste ano











