Represas da área estão agora abaixo de 40% do volume útil contra 50% da média do sistema municipal, e serão geridas separadamente; precipitação na área ficou em 62% da média histórica neste ano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A barragem Jaguari-Jacarei, parte do sistema de barragens da Cantareira de São Paulo, que abastece 46% da região metropolitana de São Paulo — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 13:00 São Paulo Altera Gestão do Cantareira Devido à Crise Hídrica O governo de São Paulo decidiu alterar os critérios de gestão do Sistema Cantareira, principal manancial de água da região metropolitana, devido ao baixo volume atual, inferior a 40%. Essa mudança visa dar mais peso ao Cantareira em decisões sobre restrições de consumo. A precipitação na área foi de apenas 62% da média histórica, e a previsão de um forte El Niño agrava a situação. A Sabesp aumentou a captação de água, mas a gestão permanece na faixa de restrição nível 3. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O governo de São Paulo anunciou hoje que vai mudar os critérios de cálculo para gerir os mananciais de água que abastecem a região metropolitana. As represas do Sistema Cantareira, que estão agora com menos de 40% da capacidade, serão geridas separadamente e terão mais peso na decisão sobre medidas de restrição. O anúncio acontece em um momento em que o abastecimento hídrico da cidade enfrenta um momento preocupante. O Cantareira principal manancial de abastecimento da Grande São Paulo, iniciou a estação seca de 2026 com o menor volume dos últimos dez anos. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), porém, aumentou a captação de água nos últimos anos. Quando o Cantareira operava com volume semelhante ao atual (44%), em 2022, a empresa retirava 21,4 m³/s do sistema. Em abril de 2026, com o reservatório ainda mais baixo (42,5%), a média de captação saltou para 25,6 m³/s, alta de cerca de 20%. O Sistema Integrado Municipal de represas, que inclui também as represas de Guarapiranga e Alto Tietê, está em melhor situação, mas média total de preenchimento dos reservatórios está em 50,8%. Uma preocupação adicional neste ano é que está prevista a chegada com força do fenômeno El Niño, o superaquecimento das águas tropicais do Pacífico, que agrava eventos extremos de seca no Sudeste da América do Sul. Centros de pesquisa globais, incluindo a NOAA (EUA) e o Copernicus (União Europeia) já dão como certo que o fenômeno se iniciou e sinalizam uma probabilidade entre 70% e 80% de um El Niño entre forte e extra-forte, que pode significar um desafio a mais para o abastecimento de água em São Paulo. O nível de pico do Cantareira neste ano foi o pior para a época desde 2016, quando o a cidade teve a pior crise hídrica de sua história. Começando a esvaziar depois de atingir 43,9% de volume útil, o sistema entra em um nível preocupante no começo do inverno, estação seca da região, que começa no domingo (21). Segundo Camila Viana, diretora presidente da Agência de Águas do Estado de São Paulo, a decisão de separar a gestão do Cantareira é que o sistema tem apresentado mais pressão meteorológica do que o Guarapiranga e outros. Neste ano, as chuvas foram apenas de 62% da média hidrológica. Segundo Natália Resende, secretária de Meio Ambiente e Infraestrutura do estado, a mudança nos critérios de gestão foram decididas por um comitê reunindo vários entes de gestão setor após um período de consulta pública. A razão para mudança da metodologia de gestão está ligada às mudanças climáticas globais e, neste ano ao El Niño. Apesar do nível relativamente baixo dos reservatórios até agora, a secretária afirma que os critérios anteriores foram capazes de gerir com sucesso os mananciais de São Paulo, e que e situação de escassez é "crônica" na região. — A nossa metodologia foi bastante eficiente, nos ajudou muito pra gente ter essa prevenção, essa contingência, essa previsibilidade, focando muito em não chegar em criticidades — disse Resende. — Por isso que a gente está fazendo sempre esse aperfeiçoamento. Um outro ajuste que será feito na metodologia é a consideração da média da série hidrológica dos últimos 15 anos, para capturar uma realidade de secas periódicas já num período mais impactado pelas mudanças climáticas associada a El Niños. O governo não anunciou, ainda, uma mudança na faixa de restrição com que o sistema opera agora. Pelos critérios atuais, a Sabesp opera a rede de distribuição de água com pressão reduzida durante 10 horas por dia, para evitar vazamentos nas tubulações públicas. Pelos novos critérios, o grau de intensidade desta medida e o volume de captação de água outorgado para a empresa nas represas podem mudar a cada fim de mês, depois da reunião de um comitê técnico. O anúncio pode ser antecipado caso haja "eventos que fujam da normalidade", diz Resende. A despressurização da chamada gestão de demanda noturna (GDN) rede afeta mais os bairros da cidade que ficam em regiões mais altas e mais distantes do centro, sobretudo em imóveis sem caixa d'água. o governo diz que a Sabesp está buscando mitigar o problema com um programa de instalação de caixas d'água para as populações que necessitam mais. — A GDN é uma medida eficiente, e nós tivemos 157 bilhões de litros de economia de água por conta dela desde que a gente começou a fazer isso em 13 de agosto do ano passado, começando com implementação 8 horas por dia — diz Resende. O aumento da captação de água nas represas, segundo a secretária, está sob controle, porque está dentro dos limites outorgados. Em 2023, os mananciais estavam em nível mais confortável e estavam sendo retirados entre 21 m³/s e 22 m³/s de água. Hoje a Sabesp está retirando cerca de 4 m³/s a mais. Mesmo com a mudança de critérios para gestão dos mananciais, o sistema permanece agora na chamada faixa de restrição de nível 3. O grau de alerta aumenta ou diminui conforme a situação de momento de volume útil das represas está abaixo ou acima da curva prevista a partir da média para a época do ano.