Robôs humanoides capazes de executar tarefas que vão da colheita de uvas à recepção de visitantes estiveram no centro das atenções na feira Vivatech, na França, nesta semana. No evento, empresas europeias tentaram mostrar que podem ocupar nichos além do alcance das gigantes chinesas, que dominam o setor. A francesa Enchanted Tools apresentou o Mirokai, um robô “social” com longas orelhas laranja e grandes olhos azuis. Capaz de se comunicar em mais de 50 idiomas, o protótipo da empresa sediada em Paris já está sendo usado para receber pessoas em hospitais e aeroportos, afirmou o diretor de marketing Richard Malterre em um dos palcos da Vivatech. A startup espera que seus primeiros modelos produzidos em escala cheguem ao mercado até o fim deste ano. — Pelo menos 60% do robô é fabricado na Europa, e estamos lutando para manter isso assim — disse Malterre à AFP. Hacker afirma que conseguiu acessar sistema interno da Fifa, e poderia interromper transmissões ao vivo da Copa; entenda Ainda assim, parte do conhecimento em robótica com inteligência artificial “não está necessariamente disponível” na Europa, afirmou ele. É o caso dos processadores gráficos da gigante americana Nvidia, que alimentam o cérebro do Mirokai e também impulsionam o atual avanço da inteligência artificial generativa. Empresas europeias de robótica apresentam modelos em feira de Paris — Foto: Reprodução: AFP Quando se trata de capacidade de produção em robótica, a China não tem rival, graças a empresas como Unitree e Agibot. As apresentações coreografadas de seus androides impressionaram visitantes da Vivatech, a mais recente feira a exibi-los nos últimos meses. Cerca de 87% dos 13 mil robôs humanoides implantados no mundo em 2025 saíram de linhas de produção chinesas, segundo a consultoria britânica Omdia. — A China está definitivamente na vanguarda — disse Joern Buss, especialista em robótica da consultoria Arthur D. Little, ao citar o avanço de empresas chinesas que exibem cada vez mais “fábricas escuras”, onde robôs trabalham em grande parte sem supervisão humana. Apesar disso, a Europa está “recuperando terreno” atrás de Japão e Coreia do Sul, acrescentou Buss, ao destacar que o continente conta com “bons atores em robótica”, incluindo empresas já consolidadas. Entre os novos nomes europeus está a alemã Neura, que desenvolve robôs humanoides industriais e domésticos, além de uma plataforma para treiná-los a executar tarefas humanas. A empresa anunciou recentemente que captou US$ 1,4 bilhão, cerca de R$ 7,5 bilhões. — Recebemos pedidos para tudo, até de dentistas. Todo mundo está nos ligando e perguntando se pode ter um robô como apoio, porque não consegue encontrar pessoas — disse à AFP o diretor executivo David Reger. Assim como outras economias avançadas, a Europa enfrenta o envelhecimento da população, o que pode pressionar a oferta de mão de obra tanto na indústria quanto nos serviços. Reger classificou robôs como os da Neura como a “última chance” do continente, afirmando que “a Europa precisa desse pilar econômico para se sustentar”. Ele citou desafios familiares para empresas europeias de tecnologia, incluindo regulação rígida e uma busca por financiamento mais difícil do que a enfrentada por concorrentes nos Estados Unidos. Mesmo assim, Reger não tem planos de tirar a Neura da Europa. A empresa colabora com as fornecedoras alemãs de componentes automotivos Bosch e Schaeffler em projetos de automação industrial. Ele também destaca que a carteira de pedidos da Neura supera US$ 1 bilhão. — Se toda a produção de robôs for para o Japão ou a China, isso pode ser um grande problema quando se trata de soberania — afirmou Francesco Ferro, diretor executivo da espanhola PAL Robotics. A empresa participou da Vivatech exibindo seus modelos mais recentes, montados em Barcelona. Um deles é um bípede preto apelidado de Kangaroo. Outro, o Tiago, tem braços articulados e já foi usado em logística e na colheita de uvas. O robô Tiago, da espanhola PAL Robotics — Foto: Reprodução: PAL Robotics Desenvolvedores de robótica utilizam grandes quantidades de dados para treinar os movimentos das máquinas e coletam ainda mais informações quando elas executam suas tarefas. Segundo Ferro, o continente deveria buscar a criação de “uma cadeia de suprimentos totalmente europeia, sem pensar apenas no preço”, já que a busca por custos menores poderia levar potenciais clientes a comprar robôs chineses. Isso traria o risco de dados valiosos ou sensíveis “caírem nas mãos erradas”, alertou. A startup franco-americana Genesis AI planeja trazer de volta para a Europa, no próximo ano, a produção de seu robô multifuncional Eno, atualmente fabricado na China. Entre os clientes potenciais estão “a grande base industrial na França, Itália e Alemanha”, disse à AFP o cofundador Theophile Gervet. Malterre, da Enchanted Tools, também acredita que existe demanda para as empresas europeias. — Estou confiante em nossa capacidade e criatividade para resistir — afirmou. — Precisamos estar prontos para a luta, não jogar a toalha.
Robô colhedor de uvas? Startups europeias de robótica criam modelos próprios para disputar espaço com gigantes chinesas; entenda
Empresas do continente buscam nichos em áreas como atendimento, logística e agricultura, enquanto China domina a produção global de humanoides
Startups europeias (Neura, PAL Robotics) levantam fundos para robôs humanoides, mas China controla 87% dos 13k implantados em 2025. Manager tech enfrenta dilema: automação chinesa (custo-eficiente) vs europeia (soberania dados). Decisão impacta budget e estratégia 2026+.









