PUBLICIDADE Concessionárias de veículos elétricos registraram maior movimento. Interessados se surpreenderam com prazo de entrega de veículos e falta de estoque 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Loja da BYD decorada para primeiro dia de Move Brasil — Foto: Ana Flávia Pilar/Agência O GLOBO RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 17:50 "Move Brasil: Desafios Operacionais Atrasam Sucesso em SP" O programa Move Brasil, lançado para taxistas e motoristas de aplicativos, teve início em São Paulo com interesse, especialmente por veículos elétricos, mas enfrentou entraves operacionais. Problemas com sistemas bancários impediram a conclusão de vendas, e o prazo de entrega de 90 dias desanimou compradores. Apesar de 600 mil inscritos, a falta de estoque e pendências no processo de crédito desafiam o sucesso inicial do programa. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No primeiro dia do Move Brasil, novo programa do governo federal voltado para taxistas e motoristas de aplicativo, com juros mais baixos na compra de carros zero, o destaque ficou com os elétricos. O GLOBO percorreu sete concessionárias na cidade de São Paulo nesta sexta-feira e encontrou pouco movimento na maioria delas. As exceções foram justamente as lojas de elétricos, que registraram maior procura. Ainda assim, vendedores e clientes relatam que falhas na integração com os sistemas bancários impediram o fechamento de negócios. O programa já soma mais de 600 mil inscritos e prevê R$ 30 bilhões em recursos, repassados pelo Ministério da Fazenda ao BNDES, com liberação intermediada por bancos e instituições financeiras parceiras. O valor máximo dos veículos é de R$ 150 mil. Segundo estimativas da Bright Consulting, o Move Brasil pode impulsionar em até 15% as vendas de veículos leves, desde que os interessados consigam cumprir os requisitos do programa. Primeiro dia de Move Brasil na Honda — Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo Apesar do interesse, o início do Move Brasil foi marcado por entraves operacionais. Na unidade da Geely da Avenida Europa, três motoristas buscaram atendimento pela manhã. Um deles chegou a tentar fechar a compra, mas não conseguiu avançar para a etapa de envio da documentação para o financiamento. Na loja da marca na Vila Leopoldina, o movimento foi intenso. Entre os clientes, havia um taxista em busca de informações e um motorista de aplicativo que decidiu fechar a compra fora do programa para não esperar o prazo de entrega do veículo. Já em uma concessionária da BYD em Moema, o vendedor Carlos Marega atendeu dez interessados ao longo do dia, mas nenhum negócio foi concluído. — Não conseguimos fechar nenhuma venda, porque ainda não foi configurado todo o processo. O BNDES está nos devendo um link para que possamos fazer a avaliação e passar a ficha da pessoa que está tentando comprar o carro — disse o vendedor. Prazo de entrega Um dos clientes que saíram sem carro da loja foi o motorista de aplicativo Weslley Souza, de 29 anos, que trabalha na área há quatro anos: — Pretendia fechar a compra hoje, mas não conseguimos por conta de um problema no sistema do banco. Ele conta que escolheu um modelo da BYD pelo design e pela economia com combustível, mas diz que o prazo de entrega de 90 dias atrapalha os planos de quem pretende dar o carro atual como entrada para obter desconto. Para quem depende do veículo para trabalhar, a espera acaba pesando. — Com os juros menores, compensa, mas 3 meses sem trabalhar... É muita coisa. Não esperava que seriam 90 dias — diz o motorista de aplicativo Alef de Souza, de 32 anos. Ainda assim, ele pretende aderir ao programa e estima economizar entre R$ 1.800 e R$ 2.000 por mês com combustível, rodando até 160 km por dia. Em outras concessionárias, o movimento foi menor. Segundo Nilo Silva, gerente de uma unidade da Honda na Avenida Europa, a procura cresceu desde o anúncio do programa, com a formação de uma fila de espera de cerca de 15 a 20 motoristas de aplicativo. Ainda assim, na manhã desta sexta-feira, nenhum cliente havia aparecido. O modelo mais procurado é o WR-V, que pode ser adquirido pelo programa e também com desconto na troca do usado. Ele ressalta, no entanto, que a aprovação de crédito pode ser um problema. — Temos uma pesquisa mostrando que a média de aprovação de crédito para esse perfil de cliente, motoristas de aplicativo, gira em torno de 60%. Falta de estoque Outro obstáculo é a falta de estoque. Em uma concessionária da GWM na Vila Leopoldina, o gerente Yuri Sobral afirma que recebe diariamente ligações de interessados, mas não há veículos disponíveis dentro das condições do programa. — A montadora está tentando trazer. No final do mês, chegam 900 unidades, mas 800 já estão comprometidas de vendas anteriores. Ao todo, 11 montadoras e 42 modelos estão cadastrados, incluindo veículos flex, híbridos flex, elétricos e movidos exclusivamente a etanol. Modelos a gasolina e diesel ficaram de fora. Nos cálculos da consultoria Bright Consulting, um carro de R$ 100 mil, com 50% de entrada e financiamento em 24 meses a uma taxa de 0,99% ao mês, teria um custo financeiro mais de R$ 6 mil menor em relação a uma taxa média de mercado de 1,89%. Confira uma lista resumida das principais montadoras habilitadas e modelos que se encaixam no programa BYD: Dolphin e Dolphin MiniGeneral Motors: Onix, Onix Plus, Spin, Tracker, Montana, Sonic e o elétrico Spark EUVVolkswagen: Polo, Tera, Virtus, Nivus e T-CrossGWM: Ora 03Honda: City Hachback, City Sedan, HR-V e WR-VHyundai: Creta, HB20, e HB20SNissan: Kait, Kicks e VersaRenault: Duster, Kardian e KwidGeely: Geely EX2Stellantis: Citroën Aircros, Basalt, C3; Fiat Argo, Cronos, Pulse, Mobi e Fast BackJeep: Compass e Renegade; Peugeot 208 e 2008Toyota: Yaris CrossFonte: Montadoras, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)
Move Brasil tem procura em SP, mas esbarra em entraves operacionais no primeiro dia de funcionamento
Concessionárias de veículos elétricos registraram maior movimento. Interessados se surpreenderam com prazo de entrega de veículos e falta de estoque








