PUBLICIDADE Comitiva empresarial, liderada pelo governo Lula, fez cerca de 90 reuniões com dirigentes e empresários locais de olho em possível retomada econômica após anos de estagnação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma refinaria de petróleo no Complexo Refinador de Paraguana, em Punto Fijo, no estado de Falcón, na Venezuela — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 12:41 Missão Brasileira Explora Oportunidades Econômicas na Venezuela Uma missão empresarial brasileira liderada pelo Itamaraty explorou oportunidades econômicas na Venezuela, focando em petróleo, exportação de proteína animal e outros setores. Reunindo diversas entidades, a delegação realizou cerca de 90 encontros para fomentar a cooperação bilateral e identificar áreas de investimento. O comércio entre os países caiu desde 2008, mas há expectativas de retomada econômica. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma delegação de executivos brasileiros se reuniu com autoridades venezuelanas em Caracas, nesta semana, para apresentar produtos e serviços na expectativa de aproveitar uma onda de recuperação econômica no país. Iniciativa do Itamaraty, a empreitada identificou oportunidades em óleo o gás, exportação de proteína animal e outros setores. A missão foi liderada pelo embaixador Alex Giacomelli, responsável pela Secretaria de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura (SECIC) do Itamaraty. Giacomelli manteve reuniões com o Vice-presidente da Venezuela para a área econômica, Calixto Ortega, o Ministro do Comércio Exterior, Johann Álvares; a Ministra de Hidrocarbonetos, Paula Henao; e o Chanceler Ivan Gil. No total, foram feitas cerca de 90 reuniões. Como exemplo de oportunidade identificada pelas empresas brasileiras, o Itamaraty menciona a possibilidade de instalar geradores termoelétricos em pontos específicos da Venezuela, para permitir que o governo e empresas instaladas no país possam explorar petróleo nesses locais. A empreitada reuniu representantes de 10 setores: petróleo e gás, automotivo, autopeças, farmacêutico, plásticos, maquinário, carnes, aves, arroz e pulses. Participaram entidades como FIESP, ANFAVEA, ABIEC, ABPA, INP (Instituto Nacional do Plástico), Sindipeças, IBRAFE, ABIARROZ, o IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás) e ABIMAQ. Estevão Carvalho, representante da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), afirmou que as reuniões ajudaram a avançar conversas que já mantinham com empresas venezuelanas em busca de novas oportunidades de negócio. — O nosso setor, tanto de aves quanto suínas, é muito internacionalizado. Exportamos para mais de 150 países. As empresas estão sempre em contato com clientes e potenciais clientes. Essa foi uma missão prospectiva para aproximar, trazer entendimento sobre o que a Venezuela está passando. O Brasil, no passado, já exportou para Venezuela carne de frango, suína e material genético avícola, essencial para a produção local, e nos últimos anos, teve uma queda muito grande no comércio. A visita acontece na esteira de esforços do governo Lula para aprofundar os laços econômicos bilaterais após anos de estagnação comercial venezuelana. O Itamaraty pretende organizar novas missões semelhantes no futuro, abrangendo empresas que tenham interesse direto no mercado venezuelano. No total, o comércio bilateral totalizou cerca de US$ 837 milhões no ano passado, abaixo do pico de US$ 5,1 bilhões registrado em 2008, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil. Patrícia Gomes, diretora de Comércio Exterior da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), afirma que a missão à Venezuela é parte de um movimento inicial de aproximação para entender como o país vem reorganizando sua estrutura produtiva, especialmente nos setores industrial, agrícola e de petróleo, este último de interesse direto da entidade. Segundo ela, a Venezuela já foi um mercado relevante para o setor. Em 2012, os embarques somaram US$ 831,4 milhões. Em 2025, esse volume caiu para US$ 64,1 milhões. — Essa aproximação acontece para que, quando houver uma eventual retomada, os setores estejam preparados. O objetivo agora é ter uma leitura mais próxima do que está acontecendo no país. Ainda há muitos pontos indefinidos para a retomada de comércio, mas o governo brasileiro achou bom que acompanhássemos (essa agenda) para estarmos preparados para uma eventual retomada. Patrícia destaca que, desde o ano passado, a Abimaq vem retomando contato com o setor privado venezuelano, que demanda, sobretudo, equipamentos agrícolas, como tratores e colheitadeiras. A estratégia, segundo ela, é manter presença e interlocução para que o Brasil seja lembrado quando o comércio bilateral se normalizar. "A Venezuela já foi um importante parceiro comercial do Brasil”, afirmou Julio Ramos, diretor de Assuntos Estratégicos da Abiec à Bloomberg. “Por isso, vemos este momento como uma oportunidade para um novo começo — um novo capítulo nas relações entre Brasil e Venezuela, particularmente no que diz respeito à carne bovina brasileira.”