Derrota no Maracanã, concurso nacional e plumagem amarela ajudaram a criar uma das maiores marcas esportivas do planeta 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A ave canário-da-terra, que inspirou apelido da Seleção Brasileira — Foto: Arthur Grosset/Save Brasil/Divulgação Durante décadas, ele esteve em toda parte. Nos rádios, nas manchetes, nas músicas de arquibancada e nas narrações históricas. Venceu Copas do Mundo, atravessou gerações e acabou se tornando quase um segundo nome da equipe nacional. Mas, afinal, quem é o "Canarinho" da Seleção Brasileira? A resposta começa longe dos gramados, nos galhos e campos abertos onde vive uma pequena ave de plumagem amarela intensa que parece carregar o sol nas penas. Trata-se do canário-da-terra (Sicalis flaveola), pássaro nativo da América do Sul e bastante comum em diferentes regiões do Brasil. Com cerca de 13 centímetros de comprimento e pouco mais de 20 gramas, ele se destaca pela coloração vibrante, pelo canto melodioso e por uma presença impossível de ignorar. Os jogadores que disputam a artilharia da Copa do Mundo de 2026 1 de 7 Messi e Mbappé disputam a artilharia histórica; Cristiano Ronaldo também pode chegar dependendo do seu desempenho — Foto: Roberto SCHMIDT / AFP, CHARLY TRIBALLEAU / AFP e RONALDO SCHEMIDT / AFP 2 de 7 Messi marca hat-trick na estreia da Copa do Mundo de 2026 — Foto: Michael Steele/Getty Images/AFP X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 Com os três gols contra a Argélia, o craque argentino se tornou o maior artilheiro da competição ao lado do alemão Miroslav Klose — Foto: Charlotte Wilson / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP 4 de 7 Kylian Mbappé fez dois gols na estreia da França na Copa do Mundo 2026 — Foto: Angela WEISS / AFP X de 7 Publicidade 5 de 7 Kylian Mbappé deu mais um passo em direção ao recorde de maior artilheiro da história da competição, que é compartilhado por Lionel Messi e Miroslav Klose — Foto: CHARLY TRIBALLEAU / AFP 6 de 7 Neymar, Cristiano Ronaldo e Harry Kane têm oito gols marcados em Mundiais — Foto: MOLLY DARLINGTON / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP X de 7 Publicidade 7 de 7 Cristiano Ronaldo ainda pode alcançar os 16 gols de Messi e Klose — Foto: Getty Images via AFP Messi, com 16 gols, está empatado com Miroslav Klose Hoje, a associação parece natural. O Brasil veste amarelo. O canário é amarelo. Logo, a Seleção virou "Canarinho". Mas a história é bem mais interessante do que essa aparente obviedade. Curiosamente, o apelido não nasceu por causa do pássaro. Nasceu por causa de uma derrota. Em 16 de julho de 1950, diante de quase 200 mil pessoas no Maracanã, o Brasil perdeu para o Uruguai por 2 a 1 na partida que decidiu a Copa do Mundo. O episódio ficou eternizado como Maracanazo e produziu uma espécie de trauma nacional. Naquele dia, a Seleção atuava com sua tradicional camisa branca, então considerada símbolo de azar por parte da opinião pública. Foto tirada em 16 de julho de 1950, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, quando o uruguaio Juan "Pepe" Schiaffino marcou o primeiro gol de sua seleção contra o Brasil, na final da Copa do Mundo de 1950 — Foto: AFP A reação foi imediata. Era preciso virar a página — e até o uniforme entrou nessa conta. Três anos depois, a então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), em parceria com o jornal "Correio da Manhã", lançou um concurso nacional para escolher uma nova identidade visual para a equipe. A única exigência era que o projeto utilizasse as quatro cores da bandeira brasileira. Entre mais de 200 propostas, venceu a de um jovem gaúcho de 19 anos chamado Aldyr Garcia Schlee. Seu desenho apresentava uma camisa amarela com detalhes verdes, calção azul e meiões brancos. A estreia aconteceu em 1954 e mudaria para sempre a imagem da Seleção. Nascia ali a famosa "camisa canarinho". E, pouco a pouco, nascia também o apelido. As semelhanças entre o amarelo vivo do uniforme e a plumagem do canário-da-terra eram evidentes. A imprensa esportiva passou a explorar a comparação, que rapidamente caiu no gosto popular. O pássaro acabou emprestando mais do que a cor. De certa forma, também ofereceu uma personalidade simbólica. Apesar da aparência delicada, o canário-da-terra é conhecido por ser territorialista, competitivo e pouco disposto a recuar diante de rivais. Pequeno no tamanho, mas barulhento e combativo. Estão aí características que combinavam com a imagem de uma seleção que começava a construir sua reputação mundial. Famosas usam biquínis com as cores do Brasil 1 de 8 Em clima de Copa do Mundo, Anitta adotou um conjunto verde e amarelo de tricô, que está por cima de um biquini verde e amarelo — Foto: Rprodução/Instagram 2 de 8 Virginia Fonseca agitou as redes sociais ao surgir com um biquíni fio-dental verde e amarelo na praia do Rio de Janeiro — Foto: Reprodução/Instagram X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Paolla Oliveira lançou tendência ao adotar os biquínis de crochê, em várias combinações de verde, amarelo e azul — Foto: Reprodução/Instagram 4 de 8 Adriane Galisteu mostrou, nas redes sociais, o biquíni verde e amarelo para a Copa do Mundo — Foto: Reprodução/Instagram X de 8 Publicidade 5 de 8 Jade Picon vai à praia com um biquíni verde e amarelo, além de uma camisa da mesma cor com os escritos "Brasil" — Foto: Reprodução/Instagram 6 de 8 Em clima de Copa do Mundo, Nicole Bahls posa com biquini verde e borda amarela — Foto: Reprodução/Instagram X de 8 Publicidade 7 de 8 Yasmin Brunet pegou uma praia com um modelo de biquini verde e amarelo — Foto: Reprodução/Instagram 8 de 8 Deborah Secco aproveitou o dia ensolarado para provar novos modelos de biquíni: um azul e outro amarelo, fazendo alusão ao período de Copa do Mundo — Foto: Reprodução/Instagram X de 8 Publicidade . Com o passar dos anos, o apelido ganhou vida própria. Vieram os títulos, os craques e a consolidação do uniforme amarelo como um dos símbolos esportivos mais reconhecidos do planeta. O que era apenas uma solução encontrada para apagar as lembranças de uma derrota transformou-se numa das marcas mais valiosas da história do futebol. A consagração definitiva ocorreu a partir das décadas de 1950 e 1960, quando o Brasil conquistou suas primeiras Copas do Mundo e passou a ser identificado internacionalmente pelas cores amarelo e verde. O mascote oficial da Seleção, criado posteriormente e popularizado em diferentes versões ao longo dos anos, também assumiu a forma de um canário, reforçando ainda mais a ligação.