O defesa Rúben Dias afirmou nesta sexta-feira que é nas dificuldades que os futebolistas da selecção portuguesa vão mostrar do que são feitos, explicando que Portugal perdeu a capacidade de "meter medo", na estreia no Mundial 2026."Obviamente existe muita especulação e, quando os resultados não são positivos, é normal que triplique. Mas isso não belisca a confiança e o que conseguimos fazer. Este tipo de competição nunca se quer que seja perfeita, quanto mais depressa chegarem as dificuldades melhor. Não espero cenários perfeitos, o mais importante é ter pés bem assentes no chão e isso só nos vai ajudar", disse o defesa do Manchester City, em conferência de imprensa.O central, que falhou o empate frente à República Democrática do Congo (1-1), na quarta-feira, na estreia no torneio devido a problemas físicos, já está a trabalhar com a equipa e garante que se sente bem, apesar de lhe ter custado estar de fora, explicando que a equipa está unida em busca de um sonho."Estamos todos juntos em busca de um sonho. É nas dificuldades que vamos ver do que somos feitos", defendeu Rúben Dias, no Gardens North County District Park, local de trabalho da selecção em Palm Beach, nos Estados Unidos.O defesa de 29 anos, que soma 76 internacionalizações, com três golos marcados, considerou que a equipa entrou bem no jogo de estreia no Mundial 2026, mas que depois acabou por relaxar, com o jogo a entrar num "clima estranho"."O posicionamento é um detalhe que faz a diferença. Era o primeiro jogo, fizemos um golo cedo e isso talvez tenha provocado um sentimento de abusar da posse de bola, sem ser tão efectivo. Coisas que são por vezes difíceis de explicar, mas perdemos o momento de criar de perigo e de eles se sentirem ameaçados. O jogo entrou num clima estranho e temos consciência do que temos de mudar", frisou.Em relação às críticas à exibição frente à RD Congo, em especial ao capitão Cristiano Ronaldo, Rúben Dias salientou que é normal que o avançado seja um foco de atenção, mas que todo o grupo está em causa."As setas não estão apontadas a um só jogador. Cada um de nós, incluindo o Ronaldo, está habituado a lidar com a pressão mediática. Nada de novo está a acontecer. Mesmo dentro da dificuldade e do momento mais frustrante, todos estão numa zona de confronto para conseguir lidar. É uma oportunidade de nos tornarmos melhores e mais fortes", garantiu.Rúben Dias assegurou que as críticas vão sempre surgir, ainda mais depois de um jogo "menos conseguido", mas que os jogadores estão "blindados" e conscientes do que representam para o país e para os adeptos do futebol.O defesa, que está na fase final de um Mundial pela terceira vez, assume a consciência de que a margem de erro já não existe e apontou críticas à comunicação social na gestão do tema sobre ao passeios na praia."A praia nunca devia ter sido um tema. Foi falta de conhecimento e falta de informação e é vosso dever informar as pessoas da forma correcta. É normal o que fizemos e é benéfico. O "mister" não teve receio de o fazer, mesmo sabendo que vocês iam fazer o que fizeram", frisou.A terminar, Rúben Dias explicou que o verdadeiro sentimento de acreditar da selecção portuguesa vem de ultrapassar as "pequenas dificuldades que vão surgindo"."Não vale a pena acreditar numa coisa se não a sentirmos em campo. Temos noção dos jogadores que temos e, para mim, o que interessa é melhorar a cada jogo, construirmos esse "feeling" dentro de nós. Aí vamos erguer bem alto essa confiança", concluiu.A selecção lusa defronta o Uzbequistão, na terça-feira, novamente em Houston, no Estádio NRG, com início agendado para as 12h00 locais (18h00 horas de Lisboa), para a segunda jornada do Grupo K.A primeira fase fica fechada em 27 de Junho, com Portugal a defrontar a Colômbia, em Miami, num jogo que começa às 19h30 (00h30 de 28 de Junho em Lisboa).Após a primeira jornada, a Colômbia lidera o Grupo K com três pontos, seguida de Portugal e RD Congo, ambos com um, enquanto o Uzbequistão, a disputar o seu primeiro Campeonato do Mundo, ainda segue com zero.O Mundial 2026, o primeiro de sempre com 48 selecções, decorre até 19 de Julho, nos Estados Unidos, no México e no Canadá.