Brasil: empate. Marrocos: empate. Suíça: empate. Países Baixos: empate. Espanha: empate. Bélgica: empate. Uruguai: empate. Portugal: pôr-se a pau.A selecção nacional arranca, nesta quarta-feira, o Mundial 2026, frente ao Congo (18h, SIC), sabendo que das equipas que têm estado em jogos a eliminar em outras fases finais só a Alemanha venceu – nesse jogo, nem o mais empedernido fã de Curaçau contava com outra coisa - e a França venceram.Chegou a “hora P” e Portugal tem pês para colocar em dia: precaver percalços e provar pujança. A selecção portuguesa não chega a este jogo com a confiança de quem impressionou nos meses antes do Mundial. Tem, por isso, muito a provar. A desconfiança generalizada à volta da selecção seria rapidamente revertida em caso de um desempenho sólido, criativo e, sobretudo, vitorioso.Este Mundial permite, ainda assim, alguma tranquilidade. Passarem os dois primeiros mais metade dos melhores terceiros é quase que garantir que Portugal, num grupo com Congo, Uzbequistão e Colômbia, terá lugar nos 16 avos-de-final.Na hora de jogar à bola, o passado de pouco vale – se é que vale alguma coisa. Mas para quem gosta de estatísticas, fica um dado: em oito estreias em Mundiais, Portugal venceu quatro. Se somarmos Europeus, foram mais oito – e venceu outros quatro.Esta percentagem de 50% de vitórias significa o quê para este jogo? Nada. Mas sugere que os Mundiais, com mau desempenho global da selecção, têm começado logo “tortos” – e em 2022, no Qatar, o triunfo com o Gana foi tudo menos tranquilo.Nove bilhetes entreguesPara este jogo não há muitas dúvidas em relação ao “onze” de Portugal, mas elas existem em relação à capacidade da equipa para saber o que fazer.Primeiro o “onze”. Diogo Costa, Cancelo, Rúben Dias, Nuno Mendes, João Neves, Vitinha, Bruno Fernandes, Bernardo Silva e Cristiano Ronaldo podem subir já para o aquecimento.Sobra um lugar na defesa e um na ala. Ao lado de Rúben Dias deverá jogar Renato Veiga, até porque, frente à Nigéria, Gonçalo Inácio se esforçou bastante para perder essa corrida. Viu-se, ainda assim, a diferença – para melhor – de ter Inácio ou Araújo na defesa, pela capacidade que tiveram de ligar o jogo com bola. Não deverá ser essa a prioridade de Martínez, pelo menos para já.Na ala, Pedro Neto é o nome mais evidente. Martínez já mostrou que quer dotar a equipa de alas que pensem o jogo de forma diferente: um mais associativo e um mais vertical. Trincão, Félix e Bernardo são os nomes da primeira estirpe. Leão, Neto e Conceição são os da segunda.Presumindo que Bernardo é titular, temos aqui o ala associativo – e sê-lo-á na ala direita. Isso exclui, por extensão, a titularidade de Conceição, que actua sempre pela direita. E sobram, assim, Leão e Neto. Leão tem-se auto-excluído nos últimos meses, pelo que Neto, até pelo apreço que Martínez nunca escondeu por ele, parte claramente na pole position.A dinâmicaVamos, agora, às dinâmicas. Parte delas decorrem da já referida ideia de Martínez de ter um ala que faça jogar e outro que jogue por si.Dirá o espanhol que dois alas associativos afunilariam demasiado o jogo da selecção e que dois alas verticais a tornariam demasiado dependente de cruzamentos e de um contra um. Talvez por isso o seleccionador tem tentado uma solução intermédia, mas o problema, mais do que o tipo de ala, tem parecido a presença na área.Ronaldo não é – nem nunca foi – um jogador forte em apoios frontais entre linhas. E não é agora que vai fingir que é nem experimentar um hobby novo. E também já não responde a cruzamentos com a pujança que já teve. Parece precisar, portanto, de manobras de diversão que o ajudem a trabalhar na área: um colega perto.Bruno Fernandes tem tido esse papel a espaços, já que Bernardo, quando o jogo está à esquerda, e Neto, quando o jogo está à direita, não têm esse perfil acutilante no ataque ao segundo poste – e isso deixa a equipa refém de presença na área quando a via é o cruzamento.O resto será com João Neves e Vitinha. Os médios do PSG vão colocar a equipa a jogar e o futebol apoiado e de posse será por certo testado neste jogo, sabendo ambos que a exploração da profundidade também não deverá ser uma hipótese: seja porque Ronaldo, Neto e Bernardo não têm esse perfil, seja porque o Congo provavelmente vai reduzir esse espaço.Defesa recuadaOs congoleses, apesar do 4x2x3x1 habitual, experimentaram com a Dinamarca uma linha de cinco atrás, com defesa recuada. Um dos alas, sendo lateral de raiz, poderá ajudar a fazer essa mudança de desenho. Isto dará aos africanos uma defesa bastante larga, o que pode tirar espaço a Portugal para envolver os laterais – e, por isso, “mastigar” ainda mais o jogo no centro, convocando um aborrecimento já visto várias vezes.E sendo uma equipa que sofre poucos golos é provável que não sinta especial desconforto em jogar em defesa recuada, convidando Portugal a abusar dos cruzamentos.No momento ofensivo, o Congo tem alas rápidos e verticais, algo que poderá ser um problema para Portugal, como a Nigéria mostrou a espaços no jogo particular em Leiria.A equipa portuguesa não pressiona adiantada de forma eficaz – Ronaldo não consegue contribuir nesse labor –, pelo que se o reagrupamento táctico não for célere isso cria tempo ao Congo para momentos de transição. E mais ainda caso Cancelo e/ou Mendes estiverem projectados, como se espera que estejam.O nível individualTudo isto parece negativo? Talvez. Mas no fim de contas há algo claro: provavelmente, nenhum jogador do Congo seria titular de caras na actual selecção portuguesa – sobretudo considerando que Bakambu (ou qualquer outro avançado do planeta) não tiraria o posto a Ronaldo.A selecção portuguesa tem, portanto, um valor individual totalmente diferente do Congo e essa discrepância de talento, embora não marque golos, ajuda muitas vezes a resolver os problemas.E nem poderão queixar-se do calor. Houston terá temperatura alta, mas o estádio é climatizado, pelo que o calor não será, em teoria, um problema grave para as equipas.E apoio? Bom, pelo que (não) se tem visto em Houston mais difícil será haver um estádio cheio.
Chegou a hora P: de Portugal, de provar pujança e de pôr-se a pau
A selecção arranca o Mundial frente ao Congo e tem alguns “pês” para pôr em dia: provar pujança, precaver percalços e pôr-se a pau. Outros candidatos já deixaram coisas por fazer na primeira jornada.














