Semifinalista surpresa em 2022, seleção marroquina ocupa a sétima posição no ranking mundial e chegou a estar à frente do Brasil em sua estreia no torneio deste ano Torcedores se reúnem em Boston, Massachusetts, EUA - 18 de junho de 2026. Torcedores marroquinos reagem enquanto se reúnem no Boston Common antes do jogo contra a Escócia — Foto: REUTERS/Brian Snyder Para os torcedores marroquinos reunidos em Boston antes da próxima partida de sua seleção na Copa do Mundo, que será realizada hoje contra a Escócia, os dias em que os Leões do Atlas eram vistos como coadjuvantes do futebol africano ficaram definitivamente para trás. Semifinalista surpresa em 2022, Marrocos ocupa a sétima posição no ranking mundial e chegou a estar à frente do Brasil em sua estreia no torneio deste ano, antes de se contentar com um empate por 1 a 1. Uma vitória sobre a Escócia nesta sexta-feira colocaria a seleção norte-africana em posição favorável para avançar às fases eliminatórias, tendo o Haiti, considerado uma das equipes mais fracas do torneio, como último adversário da fase de grupos. Torcedores soltaram sinalizadores vermelhos e verdes e dançaram ao som de tambores em um encontro realizado na véspera da partida no Boston Common, parque localizado no centro da cidade. Muitos disseram que o alto nível hoje esperado do futebol marroquino se tornou algo normal, com vários jogadores atuando em alguns dos principais clubes da Europa, entre eles o lateral Achraf Hakimi, do Paris Saint-Germain, e o meia criativo Brahim Díaz, do Real Madrid. “Chegar à Copa do Mundo costumava ser uma conquista”, disse Oussama Khatem, investigador de crimes financeiros de 35 anos que vive em Montreal, enquanto empurrava seus dois filhos pequenos em um carrinho coberto pela bandeira vermelha do Marrocos. “Agora não há grande diferença em relação à Alemanha, França ou Espanha. Daqui para frente, você vai ver Marrocos em todas as Copas do Mundo.” Khatem, como muitos torcedores marroquinos, atribui a ascensão da seleção tanto ao talento de jogadores nascidos no exterior quanto à criação da Academia de Futebol Mohammed VI, em 2010, quando o futebol do reino atravessava seu pior momento, após não conseguir se classificar para uma Copa do Mundo desde 1998. Marrocos voltou ao torneio em 2018, antes da campanha histórica de quatro anos depois, no Catar, quando derrotou Bélgica, Espanha e Portugal antes de perder para a França na semifinal. No ano passado, Marrocos conquistou a Copa do Mundo Sub-20, alimentando a expectativa de uma nova geração talentosa chegando à seleção principal. Esse talento terá a oportunidade de brilhar em casa quando Marrocos sediar conjuntamente a Copa do Mundo de 2030 ao lado de Portugal e Espanha. Khatem afirmou que outros países africanos e também nações em desenvolvimento passaram a olhar para Marrocos como um exemplo. “Marrocos está mostrando a todos os países africanos, a todos os países, que é possível chegar entre os quatro melhores”, afirmou. Torcedores se reúnem em Boston, Massachusetts, EUA - 18 de junho de 2026. Torcedores marroquinos acendem sinalizadores enquanto se reúnem no Boston Common antes da partida contra a Escócia — Foto: REUTERS/Brian Snyder Moussin Muslih, de 52 anos, que viajou do Marrocos aos Estados Unidos para acompanhar os jogos da fase de grupos, disse estar confiante em uma vitória sobre a Escócia e em uma nova sequência de resultados positivos, semelhante à campanha de 2022. “Esperamos que esta Copa do Mundo seja mais uma trajetória extraordinária, inshallah (se Deus quiser)”, disse ele.