Semanas atrás, o presidente do Equador, Daniel Noboa, um dos líderes direitistas latino-americanos alinhados à Casa Branca, foi recebido em Washington. Como Donald Trump viajava, o vice-presidente J. D. Vance o recepcionou.
Noboa também recebeu medalha no Congresso americano e foi o convidado de honra de uma sessão da OEA. Afirmou que a viagem fortalece a parceria Equador-EUA no combate ao crime organizado.
Essa parceria, já turbinada pelo presidente salvadorenho, Nayib Bukele, produz vantagens. Noboa, assim como Bukele, franqueia o espaço prisional do seu país aos EUA em nome da guerra às drogas, ao mesmo tempo em que participa de um negócio bilionário incentivado por Trump.
Trata-se da disseminação das "prisões offshore", com progressiva utilização da América Latina como plataforma de encarceramento em massa. Talvez, como Lula não se disponha a essa parceria, Trump se queixe de que o Brasil ficou "politicamente difícil". É só uma hipótese.
O "offshoring prisional" na região deslanchou a partir de 2023, quando Bukele inaugurou o Centro de Confinamento do Terrorismo, o Cecot. Nesse complexo de segurança máxima, tratamentos degradantes, incluindo a tortura, afetam milhares de presos. Como já noticiado, o líder salvadorenho recebe US$ 6 bilhões anuais para "guardar" os indesejáveis deportados pelos EUA.














