Autoridades israelenses criticaram memorando, afirmando que ele não abordou preocupações com os programas nuclear e de mísseis balísticos e que restringirá operações militares contra o Hezbollah O vice-presidente J.D. Vance fala com repórteres na Sala de Imprensa James S. Brady, na Casa Branca, na quinta-feira, 18 de junho de 2026, em Washington — Foto: AP/Manuel Balce Ceneta O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, criticou Israel por um "pânico estranho" e uma "reação exagerada" em relação ao acordo firmado entre Washington e Teerã, em entrevista publicada nesta quinta-feira (18) no jornal New York Times, enquanto o governo Trump buscava conter as críticas ao entendimento. Autoridades israelenses de todo o espectro político, incluindo alguns aliados do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, criticaram o acordo, afirmando que ele não abordou suas preocupações com os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã e que restringirá as operações militares de Israel contra o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã, no Líbano. "Há esse pânico estranho que percebi quase em todo o sistema israelense, em que eles partem do pressuposto de que tudo o que for benéfico para o Irã vai acontecer, mas sem que os iranianos mudem qualquer comportamento", disse Vance ao jornal. "Não foi assim que o acordo foi redigido”, prosseguiu. Os Estados Unidos não suspenderiam as sanções ao Irã se o país continuasse financiando uma organização terrorista, acrescentou, numa aparente referência ao Hezbollah, que Washington há muito tempo classifica como uma organização terrorista estrangeira. Uma mulher segura uma bandeira iraniana e uma bandeira do grupo militante libanês Hezbollah durante uma manifestação pró-governo na Praça da Revolução Islâmica em Teerã, Irã, sábado, 30 de maio de 2026 — Foto: AP/Vahid Salemi EUA conquistaram confiança, diz Vance Vance acusou Israel de falta de confiança em seu principal aliado. "Considero toda essa reação exagerada em Israel um pouco estranha, porque acho que ela parte de um lugar de desconfiança, e acredito que os Estados Unidos conquistaram a confiança dessa região do mundo", afirmou. "Nós fizemos um trabalho muito bom por esse país e por esse governo", disse, referindo-se a Israel. "E acho que a ideia de que fechamos um acordo terrível não é sustentada pelos fatos e simplesmente não faz sentido quando se considera a extensão da relação entre os dois países." O presidente Donald Trump tentou minimizar as preocupações israelenses durante suas declarações finais, na quarta-feira, na cúpula do Grupo dos Sete (G7), na França. Netanyahu poderia adotar uma "abordagem mais branda" no combate aos militantes do Hezbollah no Líbano, disse Trump, em sua mais recente reprimenda pública ao parceiro americano na guerra contra o Irã. Trump e os líderes iranianos aprovaram nesta semana um memorando de entendimento que adiou as questões mais difíceis para a próxima fase das negociações, sem qualquer garantia de que elas serão resolvidas. Citando críticos específicos do acordo — os ministros israelenses de extrema direita Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich —, Vance declarou: "Acho que minha resposta a eles seria: qual é exatamente a proposta de vocês? Vocês são um país de 9 milhões de habitantes. Não podem simplesmente matar para resolver todos os problemas de segurança nacional que têm." Ben-Gvir respondeu em uma publicação na rede X: "Esta é a proposta, @JDVance: lidar com os nazistas do século 21 da mesma forma que os Estados Unidos lidaram com os nazistas do século 20."