Empresário baiano começou a vida vendendo velas, em seguida investiu em um bloco de carnaval e passou a comercializar abadás antes de se aventurar no setor financeiro O baiano Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master, é um dos alvos de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal. Outro alvo é o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Segundo a PF, nesta fase da operação estão sendo investigados as suspeitas de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o petista, que é suspeito de estar ligado aos esquemas de fraudes do banco Master. Lima já havia sido alvo da primeira fase da Compliance Zero, em novembro do ano passado. Ele, inclusive, tinha depoimento marcado na PF hoje sobre os fatos da primeira fase da investigação. Agora a PF faz buscas em endereços dele em São Paulo, Bahia e Brasília. Ao todo, policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo minstro André Mendonça, nos Estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte. Mas quem é Augusto Lima? Dono do Banco Pleno, liquidado pelo Banco Central, Lima não tinha experiência nenhuma no setor financeiro quando comprou o Credcesta, cartão consignado ligado à rede estatal de supermercados Cesta do Povo, em 2018. Em poucos meses, encontrou no Banco Master, de Daniel Vorcaro, um parceiro ideal. Uma biografia de Guga, como é conhecido, escrita pela Assembleia Legislativa da Bahia na ocasião em que ele recebeu a Comenda 2 de Julho, diz que o empresário de 46 anos, começou a vida vendendo velas, em seguida investiu em um bloco de carnaval e passou a comercializar abadás. Nascido em uma família de classe média, formou-se em economia. A mudança para o setor financeiro se deu em 2018, quando o então governador Rui Costa (PT) resolveu privatizar a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que era dona da rede de supermercados Cesta do Povo. A parte financeira da operação, que envolvia o cartão consignado Credcesta, acabou ficando com Lima. Além de circular entre a cúpula da política baiana, Lima tem boa interlocução em Brasília. Em janeiro de 2024, casou-se com Flávia Peres, ex-ministra do governo Bolsonaro, ex-deputada federal e ex-mulher do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. Em 2023, Lima e Peres lançaram a ONG Terra Firme, presidida por ela e que diz ter como missão combater a pobreza e a desigualdade social. Mais discreto que Vorcaro, que dava grandes festas, Lima ainda assim tinha seus luxos. Seu casamento, na Ilha dos Frades (BA), reuniu 250 convidados e foi descrito como requintado. Também tem fazendas e aeronaves, que emprestava a políticos. A liquidação do Pleno (antigo Voiter) pelo BC já era esperada, já que a instituição fez parte do conglomerado do Banco Master até julho de 2025, quando saiu do grupo e passou a ser controlada por Lima, que era sócio de Vorcaro e chegou a ser preso na operação Compliance Zero. Com a prisão de Lima em novembro, o Pleno tinha parado de captar CDBs e estava sob grande pressão. Segundo dados do sistema IFData, do BC, o banco tinha R$ 7,621 bilhões em ativos e um patrimônio líquido de R$ 787,1 milhões em setembro. A sede fica na Faria Lima e, além de Lima, constam como diretores estatutários Renata Leme Borges e Ronaldo Vieira Bento. A auditoria era feita pela Grant Thornton. Augusto Lima, controlador do Banco Pleno, liquidado pelo BC — Foto: Reprodução/O Globo